"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Extraordinário, R.J. Palacio

NÃO JULGUE UM LIVRO MENINO PELA CAPA CARA

   O que leva uma criança a adorar usar um capacete de astronauta, mesmo em pleno verão? O que leva o diretor da escola Beecher Prep a criar um “comitê de boas vindas” que favorece apenas um aluno? Pais superprotetores, outros negligentes, pessoas extraordinárias sem ninguém para ver e um menino que não passa despercebido em lugar algum: tudo isso e mais um pouco se relaciona de maneira maravilhosa no primeiro livro de R.J. Palacio, Extraordinário (Wonder), lançado em 2012 nos Estados Unidos.
   August Pullman é a criança em questão. O centro das atenções em casa, na escola e onde quer que vá. Seu rosto, incomum, é capaz de despertar gritos de outras crianças e reações quase repulsivas de adolescentes e adultos. Ingressante do quinto ano na Beecher Prep, calouro na situação de estudar em escola pois passou os outros anos tendo aulas em casa, August precisa de muita paciência e perseverança para enfrentar o início do Ensino Fundamental II, o que é um pouco apavorante para qualquer criança. August tem disostose bucomaxilofacial, uma anormalidade facial que o submeteu a várias cirurgias.

De todo modo, não é que eu me importe com o modo como as pessoas reagem a mim. Já disse um zilhão de vezes: estou acostumado com isso a esta altura. Não deixo que me incomode. É como quando você sai e está chuviscando. Você não calça galochas por causa de um chuvisco. Nem sequer abre o guarda-chuva. Você anda na garoa e mal percebe que o cabelo está ficando molhado.
(PALACIO, R.J. Extraordinário, pag. 213-214)

Livro de estreia de R. J. Palacio,
Extraordinário
   O menino é muito amado em casa pelos pais e pela irmã Via. Adora sua cachorra Daisy, pois ela não tem repugnância dele. Na escola, Summer é uma das garotas que se torna sua amiga por opção, e Jack Will não consegue resistir a esse menino divertido. Julian, porém, é um dos alunos que escolhe tornar a vida de August mais difícil. Imagine o primeiro dia de aula numa escola nova. Imagine que tudo seria melhor se você tivesse amigos imediatamente. Agora imagine uma criança nessas condições que ainda por cima tem um rosto “anormal”. Imagine, sobretudo, os olhares de todos que o cercam. Essa é a vida de August que tenta deixar o cabelo mais grande para que seu rosto não apareça muito, que anda sempre de cabeça baixa para não ser notado e que, quando criança, usava um capacete de astronauta sempre, porque, como um dos personagens reflete, as pessoas achavam mais normal uma criança estar o tempo todo de capacete do que ver o rosto de August.
  Esse livro é incrível. Os capítulos são curtos, a história fluida, personagens bem construídos, um teor melancólico sendo quebrado de instante em instante por momentos de gentileza. É divido em partes, sendo estas narradas por August, Via, Summer, Jack, Justin e Miranda, com frases de livros, músicas e outros, sendo interessante ver o desenrolar dos acontecimentos sob várias perspectivas. É ótimo ver como August enfrenta os desafios, como as pessoas que o amam agem e tudo o que eu mais queria era que o final fosse feliz. A Veja.com exemplifica a história na seguinte frase: “O ponto de vista de uma criança que, ciente de sua estranheza e de seu deslocamento no mundo, cria um manifesto em favor da gentileza”. Eu não poderia concordar mais. E não me importa que o discurso do Sr. Bufanza (o diretor da escola) na formatura seja um tanto clichê. Valeu a pena ter lido!

August é o Sol. Eu, a mamãe e o papai giramos em volta dele. O restante de nossa família e de nossos amigos são asteroides e cometas flutuando ao redor dos planetas que orbitam o do Sol. O único corpo celestial que não gira em volta de August, o Sol, é Daisy, nossa cadela, e isso porque, para seus olhinhos caninos, o rosto do August não é muito diferente do rosto de qualquer outro ser humano. Para Daisy, todos os rostos são parecidos, chatos e pálidos como a Lua.
(PALACIO, R.J. Extraordinário, pag. 89)

    No site da R.J. Palacio, a autora conta sua inspiração. A inspiração é uma criança, menina, que estava perto de uma sorveteria em certa ocasião. O filho de três anos da autora, ao vê-la, começou a chorar muito alto. A menina tinha uma anormalidade craniofacial. Palacio se afastou porque não queria magoar os sentimentos da menina, ao perceber que seu filho se assustara. Na mesma noite, a música Wonder, de Natalie Merchant, tocou na rádio. Assim nasceu o livro Extraordinário. Um livro de um menino que, apesar de passar pela mesma situação quase todos os dias, às vezes ainda se surpreende com as pessoas.

Doctors have come from distant cities just to see me
Stand over my bed, disbelieving what they're seeing
They say I must be one if the wonders of god's own creation
And as far as they see they can offer no explaination

(MERCHANT, Natalie. Wonder)
   
Escrito por MsBrown
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Garota do Outro Lado da Rua, de Lycia Barros

- (…) Também lembro de como ela brigava comigo 
quando eu ficava dividido entre terminar de arrumar 
o meu quarto ou espiar a sua casa pela janela. – Calei-me por 
dois segundos, embaraçado pelo que acabara de revelar. – Lembro-me 
de você – confessei num murmúrio. 
(BARROS, Lycia. A Garota do Outro Lado da Rua, pag. 52)


   A Garota do Outro Lado da Rua, de Lycia Barros, lançado em 2012, é uma história teen, deliciosa de se ler, com personagens cativantes e enredo conciso.
   Quando descobri este livro embrulhado de presente num papel vermelho, fiquei tão surpresa e feliz! Há tempos queria ler os livros da Lycia Barros e nunca tinha dado certo. Até que este exemplar caiu em minhas mãos, e eu o devorei como deve ser.
   Antes de lermos qualquer livro, sempre achamos que sabemos algo sobre ele. Que sabemos os rumos que a história vai levar. E às vezes esses rumos que imaginamos acontecem, naturalmente. Exceto quando li A Garota do Outro Lado da Rua. Aqui, eu só queria que Enzo se desse bem com Rafaela e que eles fossem felizes. Não digo que isso não aconteceu, mas houve surpresas aqui e ali, uma pitada de "você não imaginou isso, né, leitor?".
   A história se passa no Rio de Janeiro, e tem a Floresta da Tijuca como cenário principal. Enzo é um garoto tímido, inteligente e apaixonado por Rafaela, sua vizinha, desde pequeno. Agora que ele tem 16 anos, continua a observá-la, remoendo-se quando ela está com Mateus (o "bombado" da turma, o popular). Mas eles, apesar de vizinhos e de serem colegas de turma, não se falam. Rafaela é popular, tem um site de moda com mais de 7 mil seguidores e está sempre preocupada com que as pessoas irão pensar dela.


- Nossa… - ela se recostou na parede. – Como pode amar alguém que não te conhece? Somente por vê-la? Não consigo compreender.
A Garota do Outro Lado da Rua, de Lycia Barros
lançado em 2012
- Provavelmente, eu e você temos um tipo diferente de coração. 
(BARROS, Lycia. A Garota do Outro Lado da Rua, pag. 55)

   Numa excursão da turma do colégio à Florestal da Tijuca, acontece um assalto e, assustados, Enzo e Rafaela fogem na mata. Para desespero de ambos, acabam se perdendo. Agora é hora de usar os conhecimentos de Enzo para sobreviverem na florestal, desde que Rafaela cale a boca! A menina, histérica, não consegue ficar muito tempo sem falar. Para aquilo que de início pareceu um sonho realizado para Enzo (imagine, se perder na floresta com a menina de seus sonhos!), tornou-se quase insuportável... Eles brigaram muito, mas também se conheceram melhor e me proporcionaram muitas gargalhadas.
   A história foi muito bem construída, acho eu. Isso porque a autora conseguiu me conduzir até onde queria, conseguiu me fazer entender, a cada passo, qual sua ideia, sua mensagem. A personalidade dos personagens foi crível, real, nada do que não é possível observar em nosso cotidiano. Então o final foi justo, do tamanho que deveria ser (já que, como é clichê dizermos, todo final é um novo começo).
   A autora deu muitas dicas de como sobreviver na floresta. Leitores mais atentos saberão fazer uma fogueira sem fósforo ou isqueiro, saberão o que poderão comer da mata, maneiras para espantar os bichos... Se não fosse uma história de adolescentes se descobrindo, seria um manual de sobrevivência. O que achei muito legal, porque gosto de florestas!
   Os diálogos foram superdivertidos e a única crítica que tenho a dizer agora, e nem é lá uma crítica, é que poderia ser um pouquinho mais extenso, não? Agora eu fico aqui, com saudade dos personagens, de participar em suas vidas...
   No canal da Lycia Barros, no Youtube, é possível assistir ao book trailer e tem um vídeo muito legal com os modelos do book trailer convidando o pessoal para ir ao evento literário de divulgação de A Garota do Outro Lado da Rua (clique aqui).


- Acho que debaixo dessa fachada fútil, 
existe uma pessoa realmente especial. É impossível 
que alguém vazio pudesse emanar tanto brilho. Se você 
juntasse o que tem por dentro, com o que já tem por fora, 
a verdadeira Rafaela seria simplesmente imbatível. 
(BARROS, Lycia. A Garota do Outro Lado da Rua, pag. 91)


Escrito por MsBrown
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Morte Súbita, de J.K. Rowling

 — Bom, se quer saber a minha opinião, muitas vezes o problema são os princípios — observou Miles. — Em geral, basta ter um pouco de bom senso.
— É, é assim que as pessoas costumam chamar os próprios preconceitos — retrucou a moça. 
(ROWLING. Morte Súbita, pag. 231)
   

   Morte Súbita (The Casual Vacancy), de J.K. Rowling, é um livro com atmosfera tensa do começo ao fim. Primeiro livro adulto da autora de Harry Potter, Morte Súbita trabalhou com assuntos sérios da sociedade, aqui representada pelo vilarejo Pagford, onde tudo acontece e o boca a boca é a especialidade de seus habitantes.
   A história começa com a morte súbita de Barry Fairbrother, que sofre um aneurisma. Muitas pessoas choram por sua morte, pois Barry era um homem popular, envolvido na política e educação de Pagford. Mas há aquelas pessoas que, ao saberem dessa morte, querem apenas serem as primeiras a espalharem a notícia, como se o fato trágico fosse um trunfo pessoal que elas quisessem exibir a torto e a direito - quem detesse a informação era visto com inveja pelos curiosos. Quando a vaga que Barry Fairbrother ocupava no Conselho Distrital se encontra vazia, um caso de vacância, o vilarejo se mostrará mais ameaçado que nunca, e isso pelos próprios habitantes, que tem tanto a esconder mas não conseguem.
   O livro apresenta os Mollison, família que está em Pagford desde sempre. Howard, o mais velho, possui uma delicatessen e participa da vida política do vilarejo, sendo o presidente do Conselho Distrital. Shirley é sua mulher, que tem como maior orgulho o sucesso do marido e do filho, Miles, e não gosta Maureen, a velha sócia de Howard extremamente curiosa. Miles é advogado, casado com Samantha, e esta é uma mulher que adora ver o constrangimento das pessoas. Os Mollison veem uma oportunidade de Miles se candidatar à vaga no Conselho, mas a eleição iminente os deixará tensos.
   A família Wall é um tanto problemática. Colin "Pombinho" Wall, vice-diretor da escola, um dos melhores amigos de Barry, tem problemas de TOC e mais um segredo, porém quer se candidatar ao Conselho para continuar com a luta que Barry representava. Tessa, sua esposa, é conselheira da escola e sofre com a relação que seu marido tem com seu filho, Stuart "Bola": o garoto está passando por uma fase de ridicularização dos pais, e Colin não o aguenta.
   A família Price tem seus maus bocados. Simon Price é violento, sempre criando uma atmosfera tensa na sua casa. Andrew Price odeia seu pai, às vezes odeia a resignação da mãe, Ruth, e seu irmão mais novo, Paul, que sempre, sem querer, contribui para as explosões de temperamento de Simon. Simon vive recluso da sociedade e, de repente, quer se candidatar à vaga no Conselho, o que deixa Andrew apavorado e, em dado momento, não está satisfeito em apenas falar mal do pai com seu amigo Bola, e isso pode produzir outra crise na família.
   Os Jawanda é uma família indiana constituída pelo doutor Vikram, a doutora Parminder (participante do Conselho e amiga de Barry), e três filhos, com destaque para a caçula, Sukhvinder, que sofre bullying na escola (por Bola) e em casa: os pais não conseguem acreditar que deles saiu uma garota deslocada, que é dislexa. A dra. Parminder não é muito apreciada na cidade e tem uma relação difícil com sua filha mais nova. Sukhvinder foi uma das personagens que mais gostei, querendo apenas ser compreendida e fazer parte de algo.
Morte Súbita, de J.K. Rowling, publicado em 2012
   A família Bawden também tem dificuldades na relação mãe-e-filha. Kay é uma assistente social que mudou-se de Londres para Pagford por causa de seu namorado, Gavin (apesar de ele não gostar dela, mas ela não enxerga isso), assim criando a animosidade com sua filha, Gaia, que se torna amiga de Sukhvinder Jawanda e é desejada por Andrew Price.
   Kay se torna uma peça importante na vida da família Weedon. Terri Weedon é drogada. Tem quatro filhos, dois foram tirados dela. Krystal é sua filha, que participava da turma de remo do sr. Barry Fairbrother e era a queridinha dele, e agora está envolvida com Bola. Robbie, de apenas três anos, tem uma infância pavorosa: assite à mãe fazendo de tudo para usar drogas, assiste às brigas rotineiras entre Terri e Krystal, tem medo de homens porque sabe o que eles fazem com sua mãe. A assistência social ameça Terri de tirar Robbie dela, o que a faz escolher sempre entre o filho ou a heroína. A cena em que Kay, como assistente social dos Weedon, aparece pela primeira vez em sua casa, foi o que me fez definitivamente continuar a ler a história. Eu não podia acreditar em tanta miséria e tristeza, e esperava que essa família tivesse um bom final. Robbie foi um dos personagens mais marcantes para mim, e quanto à Krystal, eu apenas ficava triste pela vida que levava.
   Barry lutava para a integração de Fields (um bairro pobre de onde veio, e onde Krystal morava) à Pagford. Howard Mollison era contrário a essa decisão. Também havia a questão da Clínica de Reabilitação que ficava em Fields, prédio pertencente à Pagford, que os anti-Fields tentavam destruí-lo. Essas questões, a serem discutidas nas reuniões do Conselho, acentuavam a atmosfera tensa entre os habitantes.
   A família de Barry não é tão citada. O que foi bom, porque as poucas cenas em que Mary, a viúva, apareceu, eu antipatizei com ela. Em geral, as personagens não são boas ou más, apenas deslocadas, incompreendidas, cheias de ambições, numa vida que se torna miserável em Pagford. Disso tudo foi criado o "Fantasma de Barry Fairbrother", ou seja, alguém hackeou facilmente o site do Conselho Distrital e vinha publicando fatos constrangedores sobre algumas pessoas de Pagford, em nome de Barry. A paranoia de alguns personagens, a destruição de suas carreiras foram bem detalhadas e Rowling foi capaz de criar um livro denso, e como ela própria o descreveu: "uma grande história sobre uma cidade pequena".
   O livro produziu uma sensação estranha quando terminei de lê-lo. Primeiro, pensei aliviada "Ah, é só uma história", mas quase imediatamente também pensei, perturbada, que tudo o que foi descrito ali poderia acontecer, e acontece, em qualquer lugar do mundo. A hipocrisia, a capacidade de alguém querer ser a primeira pessoa a comentar sobre a morte de alguém, como se isso fosse uma conversa habitual em que alguém tenta invejar as pessoas dizendo que tem isso ou aquilo, a raiva de quem não está mais vivo, a ambição que faz os criminosos, o sonho miserável, o descuido perante à vida... Morte Súbita é um livro pesado e realista.

As vítimas do Fantasma de Berry Fairbrother estavam atoladas na lama da hipocrisia e das mentiras, e não gostavam de escândalos. Eram insetos estúpidos que fugiam da luz brilhante. Não sabiam nada da vida real. 
(ROWLING. Morte Súbita, pag. 380)
 


Escrito por MsBrown
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Seleção, de Kiera Cass

  Na verdade eu era egoísta e geniosa, e não gostava de aparecer na frente dos outros. 
Não era corajosa, e esse emprego exigia coragem. Sim, emprego: 
não se tratava só de um casamento, mas de um cargo. 
(CASS. A Seleção, pag. 219)


  A Seleção (The Selection), de Kiera Cass, traz a nação Illéa (antigo Estados Unidos e antigo Estado Americano da China) dividida em castas. Fazendo parte da casta Cinco, que abriga os artistas, America Singer passa por maus bocados. A questão da alimentação, procura por trabalhos e até mesmo os assuntos românticos se tornam complicados. America está apaixonada por um Seis, Aspen, porém o romance parece impossível - eles namoram escondidos e Aspen é orgulhoso demais para permitir que ela se case com ele e se torne uma casta abaixo. No entanto, a família está esperançosa que America seja selecionada para participar da "competição" nacional em que a vencedora se tornará esposa do príncipe Maxon. A Seleção é uma maneira que o governo encontrou para demonstrar ao povo seu apoio, assim casando os príncipes com as castas abaixo.
A Seleção, de Kiera Cass
   America é selecionada e vai ao palácio, juntamente com outras trinta e quatro garotas, entre dezesseis e vinte anos, de diversas castas. Cada qual pretende ou se casar com o príncipe, ou sustentar a família com o dinheiro enviado pelo governo. America está lá pelo dinheiro (e comida) e inicialmente pensa que Maxon, o príncipe, é um esnobe que não reconhece o sacrifício dessas garotas de ficar um tempo longe da família - a Seleção pode durar semanas e meses, até Maxon escolher sua esposa. Mas então a relação entre essa garota Cinco e o príncipe se torna amigável, uma vez que America não mede palavras para se dirigir a ele e mostra-se o tempo todo forte em seus princípios. Entre vestidos pomposos, jantares chiques, sessão de fotos e vídeos, aulas de etiqueta e transmissões pela televisão sobre a Seleção, America conhece garotas que fariam de tudo para ganhar a coroa e outras que são como ela: estão ali por outros motivos. Cabe a America certificar-se que seu novo amigo escolha a garota mais especial dali, e que ela mesma não caia em seu charme. 
 
Aquilo que parecia pouco mais que um programa de TV para mim
era a única chance que o príncipe tinha de ser feliz.
(CASS. A Seleção, pag. 128)
 

    Entre aulas de História, conversas com Maxon e recentes ataques ao palácio, fica óbvio para a protagonista que os ataques de rebeldes transmitidos pela televisão são mais sérios e constantes do que imaginara. E mesmo o palácio, com toda a segurança, mostra-se falho. Com isso, ela extrai mais a confiança de Maxon, por sempre estar lá para ouvi-lo quando o governo não vai bem, e quando ele quer apenas espairecer.
   Há uma competição de garotas pela coroa, e outra de rebeldes pelo governo. E apenas um príncipe. E uma garota para certificar-se que ele faça as escolhas certas, enquanto ela tenta entender o que aconteceu com seu mundo.
  A escrita é simples. A leitura é rápida. A autora não explorou muito os assuntos envolvendo a guerra, a criação da nação de Illéa e, apesar de sempre destacar as castas, também não se aprofundou muito. A meu olhar, é um livro romântico que poderia facilmente acolher diversos assuntos e estender seu público alvo. Por exemplo, se os ataques dos rebeldes fossem mais detalhados, as conversas entre Maxon e America produzissem maior reflexão sobre a política e a questão das castas, a competição em si - garotas fazendo o que fosse preciso para se destacarem e ganhar a coroa -, o livro ficaria mais espesso e íntegro.
   Confesso que comecei a ficar preocupada com o rumo da história quando estava quase acabando. Era surpreendente, eu não fazia ideia do que poderia acontecer. Uma página para o livro acabar e... Espere, é assim que acaba? Tudo bem, vai ter continuação. Mas ficou tudo muito apressado e não me deu aquela sensação de livro "perfeito", como costumo dizer. Talvez a continuação mude isso, e estou ansiosa para lê-la. De todo modo, recomendo a leitores de click-lit e distopia mais leves.

Escrito por MsBrown
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Fazendo Meu Filme, de Paula Pimenta


“(…) Eu gosto de imaginar… eu gosto de fantasia… eu quero inventar sonhos! 
Eu quero emocionar as pessoas!” 
(PIMENTA. O Roteiro Inesperado de Fani, pag. 146)

   Fenômeno literário, a série Fazendo Meu Filme, escrita por Paula Pimenta, é sobre uma garota chamada Estefânia Castelino Belluz (Fani, para nós), que é apaixonada por cinema, pelas amigas, família, e pelo Leo Santiago. O fator especial de Fani é que ela, como a autora sempre diz, é uma garota normal, que come pão de queijo, vai ao shopping com as amigas... De fato, a narrativa em primeira pessoa traz essa Fani, toda dramática como qualquer adolescente, o que faz os leitores se identificarem, até porque a história se passa em Belo Horizonte (na maior parte, pelo menos) e tudo pode acontecer com qualquer pessoa. Mas não são apenas as garotas que leem a série, não. Os garotos deixaram de lado o preconceito pelas capas "de menina" e se amarraram na história! Com isso, deixo aqui um comentário que foi colocado na capa do terceiro livro da série, do leitor Nicholas Calábria (23 anos):

"Eu sempre esperei que um autor brasileiro me prendesse como os de fora, 
e a Paula fez isso com maestria! De certo modo, os meninos ficam com o 
pé atrás quando se deparam com uma capa feminina, mas qualquer menino
ou menina se identifica com o que a Fani passa em Fazendo Meu Filme."
Nicholas Calábria

   No primeiro livro, A Estreia de Fani, publicado pela editora Gutenberg em 2008, Fani tem a oportunidade de fazer intercâmbio na Inglaterra por um ano. Agora ela tem de decidir se está preparada para mudar seu estilo de vida,  passar um ano longe das amigas e ainda perceber que o amor está bem a seu lado, na forma do amigo Leo. Cada capítulo vem com uma frase de algum filme que a Fani assistiu no ano e que tem a ver com as fases pelas quais está passando. Ela também ganha CD's do amigo, o que confere um fator mais que especial para esse filme que a vida dela é: tem trilha sonora e frases marcantes! Mas Fani vai agir a tempo de agarrar seu amor, mesmo que depois vá à Inglaterra por um ano?

   No segundo livro, Fani na Terra da Rainha, lançado em 2009, Fani tem que se adaptar a um novo estilo de vida. Frio, nova família, novos amigos... e tem mesmo um garoto chamado Christian que diz gostar muito dela... A nova família da Fani é super bacana, mas a saudade da verdadeira é grande. Fani também se dilacera de saudade das amigas de BH e do Leo, e se sente confusa muitas vezes, sem saber o que fazer com o menino, já que não vai vê-lo durante um ano! Mas ela está na terra da Rainha e todos querem que ela não faça mais nada a não ser se divertir. E Fani conseguirá deixar o passado no passado e focar em aproveitar o máximo a Inglaterra?

   No terceiro livro, O Roteiro Inesperado de Fani, lançado em 2010, Fani está de volta a BH! Mas tudo está tão diferente... Suas amigas não parecem as mesmas e há momentos que ela quer voltar é para a Inglaterra. No entanto, ela aprende a se reajustar, a voltar a falar com as amigas da maneira que costumava ser, e é hora de resolver as coisas com o Leo, que ficou a esperando um ano sem ficar com mais ninguém, só por ela. Mas Leo tem crises de ciúme, ainda mais porque agora Fani tem um ex-namorado, e a relação está difícil, apesar de ela pensar sinceramente que Leo é o cara certo para ela. Para piorar, ela tem que estudar para os vestibulares de meio de ano. A mãe quer que ela passe em Direito, mas o sonho da Fani é fazer Cinema... Será que ela passará nos vestibulares e conseguirá fazer o Leo entender que ela realmente o ama?

   No quarto e último livro, Fani em Busca do Final Feliz, lançado em 2012, Fani tem 23 anos e está em Los Angeles, cursando Cinema na Columbia College Hollywood e prestes a apresentar seu filme, Shooting My Life's Script, no Los Angeles Film Festival. Leo, por sua vez, trabalha numa TV a cabo e escreve em sua revista eletrônica, cobrindo festivais de Cinema. O livro possui três partes: a parte inicial, da Fani, em que ela conta, intercalando os capítulos, como está sua vida e o que aconteceu de mais importante quando ela se mudou para a Califórnia; a segunda parte, do Leo, em que narra sua vida, também intercalando entre passado e presente, mas começa do ponto onde ele rompeu com a Fani, cinco anos atrás - o que confere um "especial", pois vemos aqui o outro ponto de vista da história; e a terceira parte é "Leo e Fani", então a narração intercala entre os dois, mas é somente o presente e o que eles fazem para tentar ter um final feliz, afinal, eles merecem (depois de 3 livros anteriores de separações). Este livro é o maior de todos, por ser sobre passado e presente, ter mais de um ponto de vista da história, ser o final e nossa querida Fani ter que correr atrás de seu final feliz que "será que existe apenas nos filmes?", assim como o Leo (e aqui passamos a gostar dele mais ainda!).


Paula Pimenta entre fãs

“(…) A maior dádiva dos escritores e roteiristas é exatamente esta: 
poder reescrever a própria vida como ela realmente deveria ter acontecido!” 
(PIMENTA. Fani em Busca do Final Feliz, pag. 66)
    
   Os livros são bem atuais, pois há trocas de e-mails, telefonemas, bilhetinhos e conversas de MSN. Paula Pimenta não só conseguiu deixar os livros com a cara adolescente, mas também deixou conselhos embutidos aqui e ali, na fala dos personagens, e é quase indispensável para adolescentes que planejam fazer intercâmbio. A série possui sua própria trilha sonora, sendo uma das músicas principais a da banda No Voice, Linda. Os epílogos sempre são profundos e dá vontade de copiá-los inteiros de tão perfeitos... 

   Fazendo Meu Filme já vendeu mais de 100.000 livros, e o número continua a aumentar, inclusive já existe a versão em inglês em e-book. É possível a série vir a ser um filme, mas a autora está pensando muito nisso para que os produtores não estraguem o que ela fez com tanto carinho. Paula Pimenta realizou várias entrevistas, e sempre diz que no começo foi difícil publicar porque os editores achavam que adolescentes não liam livros grossos (!). Esse erro dos editores, me desculpem por comentar, é sempre constante. Meg Cabot (autora que Paula Pimenta é fã), também foi recusada algumas vezes, e agora é uma das autoras mais conhecidas entre os adolescentes.

   No site da série você pode assistir as cenas das frases que começam cada capítulo e ouvir as músicas, clique aqui. E há também o site da autora, onde você pode assistir a suas várias entrevistas em programas, ouvi-la cantar (sim, ela também é cantora), e  saber outras informações, clique aqui. O site da Veja criou uma matéria especial para ela, clique aqui. Recentemente foi lançado o Diário da Fani, que é para os próprios leitores da série escreverem seus "filmes". Esse diário vem com data dos aniversários dos personagens, algumas frases dos livros e outras e várias surpresinhas. É a etapa final para as(os) pimentinhas!

   Paula escreve pelas mãos de Fani que o filme da nossa vida é o melhor filme de todos...

Com o tempo, aprendi que cada momento é único. Cada passo dado 
pode mudar a minha sinopse. (...) Aqui, não existe apenas um final. 
Existem vários. Alguns deles são felizes. Outros não. Nessa sala de 
embarque, só me resta esperar pelo próximo fim. E torcer para 
que ele seja melhor. Eu sei que vai ser. Só depende de mim.
(PIMENTA. O Roteiro Inesperado de Fani, pag. 419.)

Paula Pimenta
Escrito por MsBrown
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