"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Fala Sério, Pai!, de Thalita Rebouças

Pais, a realidade é dura. Somos nada, somos apenas um 
parque de diversões momentâneo enquanto não chega ela, 
a verdadeira rainha do lar, a dona da banca, a estrela da novela, 
a pessoa mais importante na vida dos seus filhos: a mãe. 
(REBOUÇAS, Thalita. Fala sério, pai!, p. 34)

   Fala Sério, Pai!, de Thalita Rebouças, lançado em 2009, é um dos livros mais deliciosos de ler que já tive o prazer de adquirir. Nenhuma página se passa sem uma risada, sem uma visão engraçada da realidade da convivência entre pais e filhos. 
   Neste volume, parte de uma série de outros 5 livros, Thalita Rebouças narra pelos olhos de Armando, o pai da já famosa Malu, as aventuras dessa dupla pai-filha desde a primeira crônica de um sopro de vida: o nascimento de Malu. A seguir, cada capítulo descreve um acontecimento de um ano da vida dela. Na maternidade, o primeiro amor, o corte de cabelo, aquele em que meninos são bobos, aquele em que Armando fez papel de pai-mico, ih, a madame Silicone, o papai meste-cuca e outros, até chegar no voo solo, quando Malu sai de casa para viver suas aventuras agora sem ele, o melhor pai do mundo. Malu também nos permite ver o mundo como ela, na segunda parte do livro. E percebemos, tamanho humor, que tal pai tal filha!

Fui para perto do berço e não conseguia parar de 
olhar para Maria de Lourdes. Absolutamente hipnotizado, 
idiotizado, encantado. Ela era perfeita, tinha saúde e muito, 
muito cabelo. Extasiado, constatei que aquele, sim, era o melhor 
gol da minha vida. Um gol de placa. 
(REBOUÇAS, Thalita. Fala sério, pai!, p. 21)

Fala sério, pai!, de Thalita Rebouças
   Armando adora a Maria de Lourdes, que após alguns anos vira só Malu, para os íntimos exceto a mãe, mas às vezes essa menina que nasceu com cara de joelhinho esquisito e que abria o maior berreiro em muuuuitas ocasiões o deixa sem saber o que fazer. Pai de primeira viagem, Armando aprendeu muito sobre crianças, e sobre meninas, quando se viu no papel de homem mais engraçado do mundo, pai mais legal... mas só durava quando estava só; era só a mãe da menina chegar e, bum!, ele não era ninguém. Armando narra suas aventuras como pai-mico, pai que não sabe tudo e que não sabe dizer "não", porém não perde o posto de pai mais divertido. Malu passa por todas as fases de sua vida tendo o pai ao seu lado, seja para aprontar travessuras junto, seja para receber broncas, seja para ouvir conversas de seu pai com sua mãe sobre ela cheias de indignação. 
   Já me considero fã da Thalita Rebouças pois acompanho suas crônicas lançadas no site da Veja Rio, clique aqui, e não há texto dela que não me atinga lá onde está guardado meu bom humor. Fala Sério, Pai! foi o primeiro livro dela que li, e adorei. O humor dessa carioca é transcrito perfeitamente no papel, impossível não arrancar umas risadas de qualquer leitor, seja pai, seja filho.

Meu pai estava tão frágil, tão tristinho… tão menino. E eu me senti na 
obrigação de tomar conta do meu pai-menino naquela hora. Muito 
estranho esse negócio de virar pai dos nossos pais. De repente, do nada, 
parece que eles são seres indefesos, que precisam mais da gente do que a gente deles. 
(REBOUÇAS, Thalita. Fala sério, pai!, p. 253)

Escrito por MsBrown
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sábado, 16 de novembro de 2013

Morte e Vida Severina, livro VS filme

   Morte e Vida Severina é um poema, um auto de Natal, do autor João Cabral de Melo Neto publicado em 1956. Severino, enfrentando uma crise existencial, é um retirante que sai do Pernambuco até o Rio Capibaribe em busca de um lugar melhor para viver. Troca palavras com pessoas no caminho, e o único evento constante é a morte, presente desde que Severino nasceu no Nordeste do Brasil. É um poema que discute a seca, a vida e morte do retirante.
   Um poema delicioso de ler gerou uma animação deliciosa de assistir. A animação tem duração de 55 minutos, foi dirigida por Afonso Serpa através dos quadrinhos desenhados por Miguel Falcão, um cartunista, produzida pela TV Escola e com Gero Camilo como Severino, em 2009. Foi a única produção brasileira finalista em todas as categorias do Japan Prize 2013.
   Gostei muito do filme, foi bem fiel e original. Usou imagens marcantes, seguiu o roteiro como tinha de ser. A melancolia, a esperança e a vida brasileira foram retratadas através de metáforas que poetizaram ainda mais uma criação tão primorosa quanto Morte e Vida Severina. Sinceramente, não tenho nenhuma crítica negativa a ambos, ao livro ou ao filme. Para mim, foi muito importante que essa animação foi criada, pois valoriza artistas nacionais e um poema tão realista, que fala de problemas atemporais em relação ao Brasil.
   No post da resenha do livro Morte e Vida Severina e Outros Poemas Para Vozes (clique aqui) foi discutido sobre o poema, porém aqui deixo mais uma vez um recorte especial, aqui o link para o filme, onde também está disponível o making of e o livro em PDF (clique aqui) para aqueles que se interessarem: assistir se mostrará tão eficaz quanto a leitura, de tão fiel que é.

- E esse povo lá de riba
de Pernambuco, da Paraíba,
que vem buscar no Recife
poder morrer de velhice,
encontra só, aqui chegando
cemitérios esperando.
- Não é viagem o que fazem,
vindo por essas caatingas, vargens;
aí está o seu erro:
vêm é seguindo seu próprio enterro.
(NETO, João Cabral de Melo. Morte e Vida Severina, pag. 68)

Escrito por MsBrown
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Coraline, de Neil Gaiman: livro VS filme

   Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, título original) é um dos poucos exemplos de filmes originados a partir de um livro que se mostra capaz de ser criativo e fiel a ponto de concorrer ao Oscar. É um filme um tanto sombrio, com uma introdução incrível e delicioso de se assistir.
   O filme foi baseado na obra Coraline, de Neil Gaiman, e foi lançado em 2009, com direção e roteiro de Henry Slick, e vozes de Dakota Fanning como Coraline, Teri Hatcher como Mel Jones e a Outra Mãe, Jennifer Saunders como Miss April Spink e a Outra Spink, Dawn French como Miriam Forcible e a Outra Forcible, Keith David como o Gato, John Hodgman como Charlie Jones e o Outro Pai, Robert Bailey Jr. como Wyborn “Wybie” Lovat e Ian McShane como Mr. Sergei Bobinsky e o Outro Bobinsky.
   O filme adicionou personagens à trama e tomou lugar nos Estados Unidos. No filme temos o menino Wybie, que é meio
O poster da adaptação para o cinema
de Coraline, de Neil Gaiman
atrapalhado e tagarela e que deu à Coraline uma boneca semelhante a ela, dizendo que a encontrou junto com os pertences da sua avó.
   Coraline é uma garota de cabelos azuis no universo cinematográfico. Logo que ela e seus pais se mudam de casa, ela passa os dias entediada, já que está no período de férias e longe dos amigos. Seu pai sugere que ela comece a contar o número de portas e janelas que a casa tão antiga contém. Nessa exploração de que início pareceu uma atividade chata, Coraline encontra uma portinha que a leva a outro mundo. Neste outro mundo, todas as pessoas possuem olhos de botão e sua Outra Mãe faz deliciosas refeições, seu Outro Pai sabe tocar piano e tem um jardim maravilhoso, há espetáculos incríveis com os ratos saltitantes do Outro Bobinsky e as senhoras Outra Spink e Outra Forcible também dão um show para uma plateia de cachorros! Lá o mundo é incrível, até porque o Wybie é mudinho (a Outra Mãe o consertou, ela disse).
   Mas será que é tudo tão perfeito assim mesmo? Porque Coraline, se quiser permanecer lá para sempre, terá que deixar a Outra Mãe costurar olhos de botão nela também…
   O filme foi fiel à obra. Bom, pelo menos não excluiu nada, apenas acrescentou, deixando a história tão boa quanto a do livro. O livro recebeu muitos prêmios, e o filme não deixou a desejar. Recebeu os prêmios AFI Award por Filme do Ano, BAFTA Chidren’s Award por Melhor Longa-Metragem, ficou em terceiro lugar no New York Film Critics Circle Award por Melhor Animação e no National Society of Film Critics Award por Melhor Produção de Design, e recebeu o Annency International Animated Film Festival e foi nomeado a importantes prêmios como Toronto Film Critics Association Award, ao Globo de Ouro, ao BAFTA Awards, ao Annie Awards, Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films e ao Oscar por Melhor Animação.

   O interessante foi que as ilustrações do Dave McKean no livro me lembraram diversos momentos no filme. As cenas no jardim e nos espetáculos foram incríveis no filme. Coraline é uma heroína super descolada que aprende sua lição.
   Visite a galeria de fotos do filme (clique aqui) e assista ao trailer (no final do vídeo o Neil Gaiman fala sobre a adaptação):



Escrito por MsBrown
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Corações de Neve, de Raphael Draccon

   - Senhor Rumpelstichen, o senhor quer dizer que podemos 
agora vencer a eterna luta do homem contra a morte?
- Na verdade, Rei Adamantine, a morte não existe. Ao menos, não como 
pensais. Porque ratifico: tudo o que fazemos neste universo fica gravado, 
e qualquer semideus poderá dar vida novamente a tais momentos pelo resto 
da existência. No momento em que Nova Ether tomou forma, todos nós 
aqui neste salão, e até muito além dele, nos tornamos eternos. 
(DRACCON. Corações de Neve, pag. 76)


   Corações de Neve, segundo volume da trilogia Dragões de Éter, de Raphael Draccon, convoca Anísio Branford para assumir como Rei de Arzallum, o príncipe Axel para participar do torneio de pugilismo mais famoso do mundo, o Punho de Ferro, e os personagens João Hanson, Ariane Narin, Snail Galford, Liriel Gabbiani e ainda Robert de Locksley - também conhecido como Robin Hood -, para encontrarem a si mesmos numa época em que tudo está prestes a mudar, numa época em que, além da magia, a tecnologia e conhecimentos do Oriente interfere no íntimo dos cidadãos.
   Rei Anísio Branford possui assuntos pendentes com seu irmão, Axel, e os dois deixam os conflitos familiares para se focarem em fatos que está afetando todo o Reino: o torneio do Punho de Ferro que trouxe campeões de todo o mundo para disputarem o título de maior pugilista, inclusive o campeão (gigante e temível) do Imperador Ferrabrás - homem detestável que se impôs a uma denominação aceita por poucos -; a vinda de um veículo pelos céus trazendo o gnomo Rumpelstichen, do Oriente, e seu campeão Ruggiero que irá participar do torneio, além do Sandman, espécie de objeto capaz de reproduzir acontecimentos do passado no presente. Rei Anísio Branford, no dia de sua coroação, tinha direito a três desejos que nenhum dos outros Reis, vindos também para o Punho de Ferro, poderia negar. E seus desejos são audaciosos, daqueles que alteraram políticas de outros Reinos.
   Rei Alonso Coração-de-Neve e sua filha Branca, prometida de Anísio, tentam superar a dor da morte de sua Rainha, que se sucedeu no episódio em que Rei Primo Branford e a fada, sua Rainha, também foram mortos. O livro chama-se Corações de Neve exatamente por isso: Rei Alonso não consegue mais chorar e parece que todos endureceram, de alguma forma, seus corações, mesmo aqueles que, na verdade, não sabiam que possuíam um.
   Snail Galford e Liriel Gabbiani agora trabalham juntos. Ele, pelo menos, a força a isso, no início. Snail está a preparando para desenvolver o potencial que será necessário para alguém especial - que não é revelado no começo. Ela se esforça e, com muita paciência também (para aguentar Snail), entende, por fim, o que o parceiro pretende. Ele quer fazer renascer as duas sociedades que foram dizimadas recentemente, os Sombras e os Fantasmas, mas agora com um intuito diferente. Ele quer dar uma identidade a milhares de órfãos, e como é o último dos Sombras e Liriel é a última dos Fantasmas, e ainda o "alguém especial" precisará de muitas pessoas para o que planeja, Snail sente-se na responsabilidade de fazer algo para mudar a realidade de diversas pessoas.
Corações de Neve, vol. II da trilogia
Dragões de Éter

   Enquanto isso, na plebe, João Hanson enfrenta garotos que praticam bullying e conquista Ariane de vez; Maria Hanson, agora professora na Escola Real do Saber, vive uma espécie de sonho, sendo namorada do príncipe Axel. Ariane Narin continua ter lições com a mãe e madame Viotti sobre seus "dons". Esses personagens possui trajetórias importantes, pois sofreram tanto no passado e aparentemente haverá muito ainda a ser sentido negativamente. Com fé, algumas vitórias ocorrem.
   Robert de Locksley, conhecido como Robin Hood, também participa desta trama tão bem tecida. Ele saiu da prisão e, com quase 40 anos, ainda tem a vontade de libertar Sherwood - região sob controle de Stallia (Reino do Rei Alonso) e cobiçada por Minotaurus (Reino do Imperador Ferrabrás). Será que o sentimento de liberdade que ele invocou quando era jovem ainda se mantém no coração das pessoas? E como é que ele, depois de tempos na prisão, fora do mundo que quer conquistar, conseguirá manter sua identidade ou a entenderá, por fim?


- O conhecimento nos faz responsáveis. Se alguém é capaz de tremer de indignação 
a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros. 
(DRACCON. Corações de Neve, pag. 427)


   É difícil resenhar sobre uma série tão rica em detalhes quanto Dragões de Éter é, porque, ao mesmo tempo que quero comentar sobre pequenos detalhes (o que aconteceu com o conto da Bela e a Fera, que, depois de me encantar com o filme da Disney, aqui se apresentam como o maléfico Rei-Fera e a Bella, que é uma princesa-escrava?; e o pó-de-fada - da história do Peter Pan, minha gente -, é cheirado e as pessoas começam a voar quando isso ocorre!), tenho que admitir que existe algo muito profundo, espesso, sobre esse mundo de éter que não é envolto por nós apenas por palavras, mas por palavras que fazem a diferença - aquelas que quando você as lê, quer anotá-las todas, e sair por aí falando alto para todo mundo se interessar pela narrativa. Os sentimentos dos personagens são sombrios, reais demais, e coração nenhum, ao ler esse livro, continuará como o inverno, o gelo ou a neve.
   Mas não é só de "sombras" o livro não. Na verdade, me peguei rindo em diversas vezes, principalmente com o João e a Ariane, que são um deleite de personagens.
   Para mais informações sobre a trilogia, visite o site, e para saber mais sobre o autor, ele tem seu site também (quando você entra, aparece um dragão. Isso mesmo, não poderia ser mais especial!). Para ler a resenha do primeiro livro, clique aqui.
  

- (…) Nós somos criadas por um motivo. Entretanto, nós temos algum 
livre-arbítrio. A Criadora nos permite surpreendê-la em muitos momentos. 
E, de vez em quando, os planos iniciais que estavam escritos mudam, entende?
- Mas continua escrito?
- Ou talvez Ela esteja escrevendo-o neste exato momento, como nós 
poderíamos saber? Teríamos de ser semideuses para entender o que existe 
acima de nós. 
(DRACCON. Corações de Neve, 245)


Escrito por MsBrown
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Fazendo Meu Filme, de Paula Pimenta


“(…) Eu gosto de imaginar… eu gosto de fantasia… eu quero inventar sonhos! 
Eu quero emocionar as pessoas!” 
(PIMENTA. O Roteiro Inesperado de Fani, pag. 146)

   Fenômeno literário, a série Fazendo Meu Filme, escrita por Paula Pimenta, é sobre uma garota chamada Estefânia Castelino Belluz (Fani, para nós), que é apaixonada por cinema, pelas amigas, família, e pelo Leo Santiago. O fator especial de Fani é que ela, como a autora sempre diz, é uma garota normal, que come pão de queijo, vai ao shopping com as amigas... De fato, a narrativa em primeira pessoa traz essa Fani, toda dramática como qualquer adolescente, o que faz os leitores se identificarem, até porque a história se passa em Belo Horizonte (na maior parte, pelo menos) e tudo pode acontecer com qualquer pessoa. Mas não são apenas as garotas que leem a série, não. Os garotos deixaram de lado o preconceito pelas capas "de menina" e se amarraram na história! Com isso, deixo aqui um comentário que foi colocado na capa do terceiro livro da série, do leitor Nicholas Calábria (23 anos):

"Eu sempre esperei que um autor brasileiro me prendesse como os de fora, 
e a Paula fez isso com maestria! De certo modo, os meninos ficam com o 
pé atrás quando se deparam com uma capa feminina, mas qualquer menino
ou menina se identifica com o que a Fani passa em Fazendo Meu Filme."
Nicholas Calábria

   No primeiro livro, A Estreia de Fani, publicado pela editora Gutenberg em 2008, Fani tem a oportunidade de fazer intercâmbio na Inglaterra por um ano. Agora ela tem de decidir se está preparada para mudar seu estilo de vida,  passar um ano longe das amigas e ainda perceber que o amor está bem a seu lado, na forma do amigo Leo. Cada capítulo vem com uma frase de algum filme que a Fani assistiu no ano e que tem a ver com as fases pelas quais está passando. Ela também ganha CD's do amigo, o que confere um fator mais que especial para esse filme que a vida dela é: tem trilha sonora e frases marcantes! Mas Fani vai agir a tempo de agarrar seu amor, mesmo que depois vá à Inglaterra por um ano?

   No segundo livro, Fani na Terra da Rainha, lançado em 2009, Fani tem que se adaptar a um novo estilo de vida. Frio, nova família, novos amigos... e tem mesmo um garoto chamado Christian que diz gostar muito dela... A nova família da Fani é super bacana, mas a saudade da verdadeira é grande. Fani também se dilacera de saudade das amigas de BH e do Leo, e se sente confusa muitas vezes, sem saber o que fazer com o menino, já que não vai vê-lo durante um ano! Mas ela está na terra da Rainha e todos querem que ela não faça mais nada a não ser se divertir. E Fani conseguirá deixar o passado no passado e focar em aproveitar o máximo a Inglaterra?

   No terceiro livro, O Roteiro Inesperado de Fani, lançado em 2010, Fani está de volta a BH! Mas tudo está tão diferente... Suas amigas não parecem as mesmas e há momentos que ela quer voltar é para a Inglaterra. No entanto, ela aprende a se reajustar, a voltar a falar com as amigas da maneira que costumava ser, e é hora de resolver as coisas com o Leo, que ficou a esperando um ano sem ficar com mais ninguém, só por ela. Mas Leo tem crises de ciúme, ainda mais porque agora Fani tem um ex-namorado, e a relação está difícil, apesar de ela pensar sinceramente que Leo é o cara certo para ela. Para piorar, ela tem que estudar para os vestibulares de meio de ano. A mãe quer que ela passe em Direito, mas o sonho da Fani é fazer Cinema... Será que ela passará nos vestibulares e conseguirá fazer o Leo entender que ela realmente o ama?

   No quarto e último livro, Fani em Busca do Final Feliz, lançado em 2012, Fani tem 23 anos e está em Los Angeles, cursando Cinema na Columbia College Hollywood e prestes a apresentar seu filme, Shooting My Life's Script, no Los Angeles Film Festival. Leo, por sua vez, trabalha numa TV a cabo e escreve em sua revista eletrônica, cobrindo festivais de Cinema. O livro possui três partes: a parte inicial, da Fani, em que ela conta, intercalando os capítulos, como está sua vida e o que aconteceu de mais importante quando ela se mudou para a Califórnia; a segunda parte, do Leo, em que narra sua vida, também intercalando entre passado e presente, mas começa do ponto onde ele rompeu com a Fani, cinco anos atrás - o que confere um "especial", pois vemos aqui o outro ponto de vista da história; e a terceira parte é "Leo e Fani", então a narração intercala entre os dois, mas é somente o presente e o que eles fazem para tentar ter um final feliz, afinal, eles merecem (depois de 3 livros anteriores de separações). Este livro é o maior de todos, por ser sobre passado e presente, ter mais de um ponto de vista da história, ser o final e nossa querida Fani ter que correr atrás de seu final feliz que "será que existe apenas nos filmes?", assim como o Leo (e aqui passamos a gostar dele mais ainda!).


Paula Pimenta entre fãs

“(…) A maior dádiva dos escritores e roteiristas é exatamente esta: 
poder reescrever a própria vida como ela realmente deveria ter acontecido!” 
(PIMENTA. Fani em Busca do Final Feliz, pag. 66)
    
   Os livros são bem atuais, pois há trocas de e-mails, telefonemas, bilhetinhos e conversas de MSN. Paula Pimenta não só conseguiu deixar os livros com a cara adolescente, mas também deixou conselhos embutidos aqui e ali, na fala dos personagens, e é quase indispensável para adolescentes que planejam fazer intercâmbio. A série possui sua própria trilha sonora, sendo uma das músicas principais a da banda No Voice, Linda. Os epílogos sempre são profundos e dá vontade de copiá-los inteiros de tão perfeitos... 

   Fazendo Meu Filme já vendeu mais de 100.000 livros, e o número continua a aumentar, inclusive já existe a versão em inglês em e-book. É possível a série vir a ser um filme, mas a autora está pensando muito nisso para que os produtores não estraguem o que ela fez com tanto carinho. Paula Pimenta realizou várias entrevistas, e sempre diz que no começo foi difícil publicar porque os editores achavam que adolescentes não liam livros grossos (!). Esse erro dos editores, me desculpem por comentar, é sempre constante. Meg Cabot (autora que Paula Pimenta é fã), também foi recusada algumas vezes, e agora é uma das autoras mais conhecidas entre os adolescentes.

   No site da série você pode assistir as cenas das frases que começam cada capítulo e ouvir as músicas, clique aqui. E há também o site da autora, onde você pode assistir a suas várias entrevistas em programas, ouvi-la cantar (sim, ela também é cantora), e  saber outras informações, clique aqui. O site da Veja criou uma matéria especial para ela, clique aqui. Recentemente foi lançado o Diário da Fani, que é para os próprios leitores da série escreverem seus "filmes". Esse diário vem com data dos aniversários dos personagens, algumas frases dos livros e outras e várias surpresinhas. É a etapa final para as(os) pimentinhas!

   Paula escreve pelas mãos de Fani que o filme da nossa vida é o melhor filme de todos...

Com o tempo, aprendi que cada momento é único. Cada passo dado 
pode mudar a minha sinopse. (...) Aqui, não existe apenas um final. 
Existem vários. Alguns deles são felizes. Outros não. Nessa sala de 
embarque, só me resta esperar pelo próximo fim. E torcer para 
que ele seja melhor. Eu sei que vai ser. Só depende de mim.
(PIMENTA. O Roteiro Inesperado de Fani, pag. 419.)

Paula Pimenta
Escrito por MsBrown
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