"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Adeus, Mr. Chips, James Hilton

    Uma carreira decente, decentemente encerrada; três vivas para o velho Chips, gritaram todos naquele ruidoso jantar de fim de ano letivo.
    Com efeito, três vivas; mas outros mais viriam, um epílogo insuspeitado, um bis dedicado a um auditório trágico.
(HILTON, James. Goodbye, Mr. Chips, pag. 13)

   Mr. Arthur Chipping é um professor em Brookfield que mora na pensão de Mrs. Wickett. Já velho, porém não doente, relembra seus dias na escola, sempre falando Latim e fazendo piadas para seus alunos homens. Adeus, Mr. Chips (Goodbye, Mr. Chilçlops), de James Hilton, escrito em 1933 na Inglaterra, é um livro que diz adeus a uma das pessoas que viu a escola nascer e se desenvolver, passar por bons e maus momentos. É sobre um homem que viveu o bastante para presenciar a Guerra Franco-Prussiana, a I Guerra Mundial e ensinar gerações de alunos.
  James Hilton criou um homem simpático, um livro inspirador. De poucas páginas, linguagem simples, foi lido rapidamente e deixou algo especial. Uma vida, vista por outros um tanto quanto solitária, na verdade foi vivida para os outros, para o divertimento de jovens alunos, da mulher, Katherine, com quem se casou em certo momento, a mulher que na véspera de casamento disse “Goodbye, Mr. Chips”.
Adeus, Mr. Chips, o livro
aqui resenhado

 — Este é um momento solene, tu compreendes... O nosso último adeus. Eu me sinto mais ou menos assim como um aluno no primeiro dia de aula contigo. O que tenho não é medo, note bem, mas apenas respeito, muito respeito. Devo dar-te senhoria? Ou o direito será dizer “Mr. Chips?” Acho que “Mr. Chips” fica melhor. Adeus, então. Adeus, Mr. Chips...
(HILTON, James. Goodbye, Mr. Chips, pag. 29)

   Tendo começado a lecionar em Brookfield em 1870, Mr. Chips, assim apelidado, é uma homenagem do autor ao seu pai, que foi professor, e um tributo à profissão de lecionar. Escrito em apenas quatro dias por um homem com trinta e três anos, Adeus, Mr. Chips foi primeiro lançado na Inglaterra em 1934 e quando aterrissou o território americano fez tanto sucesso que estabilizou o autor por toda a sua vida.
   Em 1939 foi lançado o filme de mesmo nome, dirigido por Sam Wood e estrelado por Robert Donat, como Mr. Chips, Greer Garson como Katherine, recebendo Oscar por Melhor Ator e sendo indicado no mesmo prêmio para Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição de Filme.

Pela primeira vez em sua vida Chips se sentiu necessário 
— e necessário a algo que estava muito perto de seu coração. 
Não há no mundo sensação mais sublime e por fim ele a tinha.
(HILTON, James. Goodbye, Mr. Chips, pag. 92)    

Escrito por MsBrown
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

GAIMAN, Neil. Biografia. Inglaterra: 1960 -

"Ser um escritor é como ter um "trabalho" muito peculiar:
é sempre você versus um papel em branco (ou uma tela em branco)
e frequentemente o pedaço de papel em branco vence."
Neil Gaiman

Neil Gaiman é um dos autores de fantasia mais conhecidos no mundo. Recebeu diversos prêmios por seus romances e livros de quadrinhos, além de ter escrito episódios para séries britânicas, teatros e feito áudios.

Neil Gaiman
Neil nasceu em novembro de 1960, em Hampshire, Inglaterra. Em sua infância, sempre pedia aos pais para o deixarem numa biblioteca da cidade quando iam trabalhar. Ali Neil conheceu através das páginas os autores C.S. Lewis, J.R.R. Tolkien, James Branch Cabell, Edgar Allan Poe, Michael Moorcock, Ursula K. LeGuin, Gene Wolfe e G.K. Chesterton e passou a amar os livros. Seu primeiro livro a ser lançado foi uma biografia da banda Duran Duran e o segundo uma biografia do autor Douglas Adams, no fim dos anos 1980, com o título Don't Panic: The Official Hitchhikers Guide to the Galaxy Companion. Neil lançou o livro Violet Cases, com colaboração do artista Dave McKean, e conseguiu assinar um contrato com a DC Comics para realizar a minissérie Orquídea Negra (Black Orchid).

Seu sucesso mais estrondoso veio com o lançamento, em 1988, da série de histórias em quadrinhos Sandman. A série fez com que Neil fosse honrado com 9 Will Eisner Comic Industry Awards e 3 Harvey Awards e foi o primeiro comic a ganhar um prêmio literário, em 1991, da World Fantasy Award For Best Short Story.

Neil Gaiman

Neil Gaiman é o autor que acumula sucessos e é adorado pelos fãs. Foi um dos primeiros escritores a começar um blog e ter seu espaço na internet, escreveu o roteiro para a série como Neverwhere (1996) e para os filmes Mirrormask (2005), co-escreveu Beowulf (2007), de Robert Zemeckis, produziu o filme Stardust (2007) e dirigiu e roteirizou A Short Film About John Bolton (2002) e Statuesque (2009). Por seu livro Coraline, publicado em 2002, resenha aqui, Neil recebeu os prêmios British Science Fiction Award, Hugo, Nebula, Bram Stoker, American Elizabeth Burr/Worzalla Award e foi para os cinemas em 2009 como animação, sendo dirigido por Henry Selick e com a voz de Dakota Fanning como Coraline. Em 2011, o jornal The Times descreveu Neil Gaiman como um “herói”, isso porque ele tinha escrito o episódio The Doctor’s Wife, para a série britânica Doctor Who.

Atualmente vive em Minneapolis, nos Estados Unidos. Quando perguntado sobre o processo de criação, sempre diz "Você coloca uma palavra atrás da outra e de algum modo alcança o final". Saiba mais sobre o escritor em site, seu Tumblr e no vídeo da PEN America (clique aqui aqui e aqui). Para finalizar, assista a este vídeo em que Neil diz sobre o processo de criação de histórias (as imagens foram tiradas de filmes, mas a voz é do Neil):




Escrito por MsBrown
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

#Clube do livro ~ Junho / Coraline

Livro: Coraline

Gênero: Fantasia

Publicação: 2002/Inglaterra

Autor: Neil Gaiman




Onde comprar:
Livraria Saraiva
Livraria Travessa

RESUMO DA OBRA

Coraline acabou de mudar de casa com seus pais. Nesta nova, por ser tão grande, sua família possui apenas uma parte. Há muitas janelas e portas. E uma porta que se abre para uma parede de tijolos. Aparentemente. Na vizinhança há as senhoritas Spink e Forcible que possuem cães, o velho senhor que conversa com ratos artísticos e há um gato que não fala.

Certo dia, entendiada, Coraline resolveu explorar a casa. E quando abriu aquela pequena porta, viu que havia um vão. E entrou. Do outro lado, a casa se parecia com a sua. Uma mulher, parecidíssima com sua mãe, se apresentou como “sua outra mãe”, assim como seu outro pai. E eles tinham botões no lugar dos olhos. As senhoritas Spink e Forcible faziam shows para uma plateia de cachorros. O velho senhor organizava o concerto para os ratos. Todos eles com botões no lugar dos olhos. E havia ainda o gato, que agora falava e teimava em dizer que era o mesmo gato dos dois lados da casa.

Coraline, de início, até gosta de viver neste mundo. Seus outros pais parecem se importar muito com ela, e sua outra mãe cozinha deliciosamente. (Na sua casa de verdade, seu pai sempre inventava novas receitas, o que deixava Coraline furiosa.) Mas nem tudo é perfeito. Isso porque sua outra mãe quer costurar botões no lugar de seus olhos e, depois disso, Coraline seria para sempre sua. Apesar dos brinquedos bacanas, da comida, do quarto, Coraline começa a ver que esse mundo não é tão maravilhoso assim, até porque seus pais verdadeiros desaparecem nas garras da outra mãe. E o amor de sua outra mãe é doentio, uma espécie de jogo ao qual ela pensa que Coraline irá perder e render aos seus encantos.

E quando a outra mãe é contrariada, ela não fica feliz. Coraline percebe esse lado cruel e tenta voltar para sua verdadeira casa. Mas, para isso, tem que inventar um jogo para salvar seus pais e outras três crianças com vidas já sugadas pela outra mãe.

COMENTÁRIO DAS AUTORAS

Coraline é uma obra encantadora, longe de ser apenas para crianças. Esse universo sombrio nos faz perceber a importância da família, de ser corajoso e tentar vencer a todo custo. O livro ensina que verdadeiramente não queremos tudo aquilo que é convidativo. Coraline é uma protagonista incrível, exploradora, cativante. O gato é outro personagem marcante, sempre ali para ajudar a menina.

A cena final, a batalha final mostra como temos aqui uma heroína que entendeu finalmente que seu lugar é com seus pais verdadeiros, não importa o quanto às vezes eles parecem se envolver demais no trabalho e deixá-la sozinha.

Neil Gaiman construiu um mundo tão sutilmente assustador. Se o objetivo era que ficássemos agoniados com os olhos de botão, ele realmente conseguiu. Aqueles olhos que você não sabe o que está se passando, e que se tornam amedrontadores por serem tão misteriosos.

TRECHOS
— Os ratos têm uma mensagem para você — sussurrou.
Coraline não sabia o que dizer.
— A mensagem é a seguinte: Não passe pela porta.­ — Fez uma pausa. — Isso faz algum sentido para você?
Pag. 23

— Gatos não têm nomes — disse.
— Não? — perguntou Coraline.
— Não — respondeu o gato. — Agora, vocês pessoas têm nomes. Isso é porque vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes.
Pag.41

— Por que ela me quer? — Coraline perguntou ao gato. — Por que quer que eu fique aqui com ela?
— Quer algo para amar, acho — respondeu o gato. — Algo que não seja ela. Pode ser que queira algo para comer também. É difícil dizer com criaturas daquelas.
Pag. 65

Às vezes, Coraline esquecia-se de quem era enquanto explorava o Ártico, a floresta amazônica, ou a áfrica desconhecida em seus devaneios, e era somente quando lhe davam uns tapinhas nas costas ou chamavam o seu nome que coraline retornava de um milhão de milhas com um susto e, em frações de segundos, tinha que se lembrar de quem era, de qual era o seu nome e até mesmo quem estava lá.
Pag. 67

— Se você nem mesmo vai falar comigo — disse Coraline —, então vou explorar.
— É perda de tempo — disse o outro pai. — Não existe nenhum outro lugar a não ser aqui. Foi tudo o que ela fez: a casa, o terreno e as pessoas da casa. Ela fez e esperou. — Então ele pareceu constrangido e pôs o dedo em frente à boca novamente, como se tivesse acabado de falar demais.
Pag. 70

— Você realmente não entende, não é: — disse. Eu não quero tudo o que eu quiser. Ninguém quer. Não realmente. Que graça teria ter tudo o que se deseja? Em um piscar de olhos e sem o menor sentido. E daí?

Pag. 116
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sexta-feira, 26 de abril de 2013

CHRISTIE, Agatha. Biografia. Inglaterra: 1890-1972

Em 1890 nasceu a Dama do Crime, em Torquay, Devonshire, na Inglaterra. Agatha Mary Clarissa Miller, mais conhecida como Agatha Christie, escritora de romances policiais que criou o famoso detetive Hercule Poirot, Miss Marple e outros, além de suas obras serem as mais traduzidas do planeta, ficando atrás apenas da Bíblia Sagrada e das obras de Shakespeare.

Agatha Christie
Agatha era a filha mais nova e tinha dois irmãos, Madge e Monty - a primeira contava as histórias de Conan Doyle, Allan Poe e Leroux à caçula -, todos filhos do pai norte-americano, Frederick Miller, um corretor da Bolsa, e da mãe tímida, Clara Bohemer, aristocrata inglesa. Em 1896 a família mudou para a França. Era típico na época os pais mandarem somente os meninos para as escolas, educando as meninas em casa. Mas Madge foi para a escola e Agatha foi educada em casa, com professores particulares, aprendendo canto e piano - queria ser cantora de ópera, porém era muito tímida -, e a ler quando tinha apenas 5 anos de idade. Quando Agatha tinha 11 anos de idade, seu pai faleceu; com isso, ela se tornou mais próxima de sua mãe e elas passaram a viajar muito juntas, alugando a mansão de Ashfield para terem dinheiro sempre.

Voltando à Inglaterra, sua mãe passou a ter problemas de saúde e, tendo o médico sugerido que elas fossem morar num local mais seco, Agatha e sua mãe se mudaram para Cairo. Aqui Agatha passou a frequentar vários bailes, sua timidez aos poucos sumindo. O primeiro conto que escreveu foi quando estava com resfriado e de cama, sendo incentivada pela mãe e posteriormente foi encorajada pelo teatrólogo Eden Phillpots.

Agatha Christie, a Dama do Crime
Agatha foi enfermeira do Exército da Cruz Vermelha, na Inglaterra, durante a I Guerra Mundial. Em 1914, no Natal, ela casou-se com Archibald Christie, piloto do Royal Flying Corps, e adotou seu sobrenome que mais tarde tornaria conhecido no mundo todo. Madge desafiou Agatha a escrever um romance policial em que o leitor só descobrisse quem era o assassino quando a história estivesse no fim. Com isso, nasceu O Misterioso Caso de Styles (The Mysterious Affair at Styles), trazendo o detetive Hercule Poirot (que mais tarde participaria de 33 romances e vários contos), que demorou alguns anos para ser publicado (1920); o editor ainda queria que o final fosse alterado, mas depois da publicação e a descrição minuciada da morte por envenenamento, Agatha recebeu uma homenagem do Pharmaceutical Journal.

O verdadeiro objetivo de uma boa história policial é que o 
assassino seja alguém óbvio e que, ao mesmo tempo, por certas 
razões, descubramos que não é óbvio, e que, afinal, possivelmente 
não fora essa pessoa que cometera o crime.
(CHRISTIE, Agatha. Autobiografia)

Em 1919, Rosalind, a primeira e única filha de Agatha, nasceu. Em 1923, sua irmã Madge morreu. Em 1926, sua mãe morreu e seu marido a deixou para ficar com outra mulher. Apesar da crise familiar, Agatha lançou, ainda em 1926, o livro O Assassinato de Roger Ackoyd, pela editora Collins (a autora permaneceu nesta editora durante 50 anos e 70 livros); esta obra foi a primeira a ser dramatizada. Neste mesmo ano, ela desapareceu por 11 dias. Foi encontrada num hotel sob o nome da amante do marido e constatou-se que ela estava com amnésia. Ninguém, até hoje, sabe ao certo o que aconteceu durante esses dias ou para onde ela foi e por quê, e inclusive foi lançado o filme O Mistério de Agatha (Agatha), de 1979, estrelado por Dustin Hoffman e Vanessa Redgrave, com direção de Michael Apted, em que um repórter americano encontra Agatha Christie num sanatório maquinando um plano macabro. Para saber mais histórias tentando solucionar  esse estranho desaparecimento, leia a matéria do Guia do Estudante (clique aqui).
Dame Agatha Christie


- Quando o pescoço de um homem corre perigo, ele não perde tempo com sentimentos.
(CHRISTIE. O Caso dos Dez Negrinhos)


Monty, seu irmão, faleceu em 1929. Em 1930, Agatha lançou o primeiro livro com a personagem Miss Marple, Assassinato na Casa do Pastor. Casou-se com Max Mallowan, um arqueólogo 14 anos mais jovem que ela, que conheceu numa viagem à Mesopotâmia. Em 1934, ela lançou Assassinato no Expresso do Oriente, que foi transformado em filme e recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Ingrid Bergman, além de ter sido indicado por melhor ator (Albert Finney), melhor fotografia, melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora, melhor figurino e ganhou três prêmios no BAFTA por melhor ator coadjuvante (John Gielgud), melhor atriz coadjuvante e melhor trilha e outras indicações.

Em 1971, recebeu o título de Dame pela Ordem do Império Britânico. Faleceu em janeiro de 1972 em Oxfordshire, de causas naturais e seu marido também morreu, dois anos depois. Ela tinha 85 anos e 80 livros publicados, com 1 trilhão de cópias ao redor do mundo. Deixou um patrimônio de 20 milhões de dólares e obras a serem publicadas postumamente, inclusive sua autobiografia.

A filha de Agatha morreu em 2004, aos 85 anos e de causas naturais. Agatha também publicou sob o pseudônimo Mary Westmacott e como Agatha Christie Mallowan. Ela não se limitou aos romances policiais, chegando a escrever livros românticos, contos e peças teatrais.

Agatha Christie instiga os leitores a pensarem e a reconheceram pistas, mas sempre a conclusão, a solução do crime é diferente daquela que os leitores consideraram. Seu estilo de escrita é rápido, há várias referências a aquilo que ela conheceu: lugares, remédios, venenos, todos combinados para uma trama perfeita. Em seu site, é possível saber mais sobre a história desta incrível escritora (clique aqui).



Escrito por MsBrown

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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Especial 200 anos de Orgulho e Preconceito




   2013 é o ano de um dos maiores livros da literatura mundial: Orgulho e Preconceito. Por quê? É o ano em que completa 200 anos. (Na verdade fez 200 anos dia 28 de janeiro, mas para nós é comemorado o ano inteiro) E não foram 200 anos no ostracismo. De fato, O&P continua tão presente na mídia quanto quando foi escrito. São várias as adaptações para a TV, cinema e até para a internet, além, é claro, de diversas fanfics.   
Orgulho e Preconceito conta a história da família Bennet. A mãe Bennet está desesperada, pois tem cinco filhas e nenhum herdeiro, portanto, quando o marido morrer, a propriedade em que vivem vai para o parente homem mais próximo: Mr. Collins. Então é ontem que a Sra. Bennet quer casar suas filhas.



"É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, de posse de boa fortuna, deve estar atrás de uma esposa." Sra. Bennet.




   Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia Bennet são únicas, cada uma tem uma personalidade diferente. Jane é a mais velha e a moça mais cobiçada de todos. Ela é doce e gentil. Já Elizabeth, nossa heroína, é perspicaz, orgulhosa e inteligente. Não acredita em casamento sem amor. Mary é a clássica filha do meio: só quer estar no meio dos livros e é super fechada. Kitty faz tudo que a irmã caçula pede. Lydia seria o que descrevemos nos dias atuais como uma assanhada.


   Quando a família Bingley chega à cidade e aluga uma das casas mais caras da região, a Sra. Bennet parte na saga de casar suas filhas. Jane logo se encanta com o Sr. Bingley, que também demonstra interesse pela moça. Mas a irmã do rapaz e seu melhor amigo impedem que tal relacionamento se concretize. Inicia-se aí o começo do casal mais amado da literatura. Mr. Darcy é o nome do tal amigo. Logo de início, ele e Elizabeth se desentendem, os dois agem orgulhosamente e preconceituosamente para com os outros. No decorrer da história, vemos que ambos vão se conhecendo melhor, através de vários empecilhos e desencontros.  Os empecilhos recebem o nome de Mr. Wickham, Condessa Catherine de Bourgh, Caroline Bingley, e por aí vai.

   A história do livro é bem conhecida e todos sabem como termina. O gostoso de ler Jane Austen, é que podemos notar certa crítica aos costumes da época, especialmente no que diz respeito à conduta “aceitável” nas moças. A Elizabeth de Austen é independente, crítica, e feminista. Além de que os ataques de nervos da Sra. Bennet e os discursos eloquentes do Mr. Collins são um espetáculo à parte.

   Acho que o mais importante ainda é quando o casal principal se despe de seus preconceitos e pode ver claramente um ao outro.
Há muito mais que pode ser dito das obras de Jane Austen e de Orgulho e Preconceito, mas isso é assunto para outros posts. Fique no aguardo.

   Enquanto isso, visite o site da Jane Austen no Brasil:
janeaustenbrasil.com.br


Escrito por MsMitchell

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

#Clube do livro ~ Abril / O Mistério do Trem Azul

Livro: O Mistério do Trem Azul

Título original: The Mystery of The Blue Train

Publicação: 1928/Inglaterra

Autor: Agatha Christie





RESUMO DA OBRA


Em O Mistério do Trem Azul, temos o Trem Azul, também conhecido como o Trem dos Milionários, que, numa viagem, abriga Miss Katherine Grey, uma nova rica que lê romances policiais e acredita que as histórias não acontecem na vida real, Mrs. Ruth Kettering, que acabou de ganhar rubis do pai norte-americano Mr. Van Aldin e outros personagens que estão lá por coincidência… ou não. De qualquer forma, Mrs. Ruth é assassinada. As suspeitas caem em seu marido, o temperamental Mr. Derek Kettering (que vai herdar uma fortuna por isso) e também no Comte de la Roche, o amante de Ruth. Em diversos momentos ficamos tentados a acreditar que um dos dois homens é realmente o assassino, e isso pode ser verdade, porém os diálogos e pistas nos levam a diversos caminhos. O que sabemos com certeza é que Miss Grey teve uma longa conversa com Mrs. Kettering e horas depois a segunda morreu. Há outros personagens, como o secretário de Mr. Aldin, o major Knighton que se apaixona por Miss Grey e a família desta, que considera que a moça está vivendo uma incrível história e tem uma sorte imensa por estar envolvida num caso de assassinato, além da criada de Mrs. Kettering, Ada Mason, que é um tanto indecisa, e dos homens da polícia. E, é claro, o detetive Hercule Poirot, com a cabeça oval, o entusiasmo de sempre e a percepção incrível.

COMENTÁRIOS 

A presença de Hercule Poirot é o que faz rir. Seu jeito de ser, o modo como pensa que é o maior detetive do mundo e como às vezes reconhece que as pessoas riem dele, suas atitudes impulsivas e aparentemente malucas, tudo isso faz parte da personalidade do detetive que o mundo externo raramente sabe o que está pensando. Sobre o caso do assassinato, são muitas informações e até o leitor ligar todos os detalhes, pode ser que Hercule Poirot o faça antes. Agatha Christie é conhecida por seus romances policiais, e conduz o leitor direitinho pelo caminho… errado. É claro, só o detetive pode descobrir tudo.

A linguagem é bem rápida e há sentimento também. Não no início, mas lá pelo fim, quando Poirot tem uma amiga e quer cuidar dela, e as reações dela com os amores também é muito interessante. Apesar de sucinto, Christie consegue transmitir emoções e arrancar, de uma história sombria por envolver assassinato, alguma beleza e lições sobre a vida.

TRECHOS


— É possível que seja apenas minha imaginação — disse o homenzinho, enquanto polia eficientemente um dos garfos —, mas creio que tem uma certa ansiedade por participar de acontecimentos interessantes. Eh bien, Mademoiselle, a minha vida inteira tenho observado uma coisa: ‘Obtém-se tudo o que se quer!’ Quem sabe? — Seu rosto contraiu-se de maneira cômica. — É possível que receba mais do que esperava! Pag. 85

— Meu nome é Hercule Poirot — disse tranquilamente —, e sou provavelmente o maior detetive do mundo. Pag. 148

— Esta é Miss Grey. Sabe aquela encrenca do Trem Azul? Ela estava metida até as orelhas! Conversou horas com Ruth Kettering logo antes dela ser assassinada! É uma sorte incrível, não é? Pag. 163

— A senhorita confessou que lê história de detetive, Miss Grey. Deve saber que qualquer pessoa com um álibi perfeito é sempre mais que suspeita.
— E acha que a vida real também é assim? — perguntou Katherine, sorrindo.
— É possível. Seja como for, se eu fosse um criminoso profissional, não gostaria de ter Hercule Poirot atrás de mim. Pag. 174

— Dê-me um momento, Monsieur. Eu, eu tenho uma pequena ideia. Há muita gente que se tem rido das ideiazinhas de Hercule Poirot — mas sempre se enganaram! Pag. 181

— (…) Sua reputação é má, eu sei; mas com as mulheres — isso nunca é realmente um empecilho. Se o senhor fosse um homem de excelente caráter, de estrita moralidade, que jamais tivesse feito nada que não devesse e — possivelmente — feito tudo o que deveria ter feito — eh bien! então eu teria dúvidas quanto ao seu sucesso. O mérito moral, é preciso que compreenda, não é romântico. Ele é, no entanto, apreciado pelas viúvas. Pag. 202

Voilà — disse o estranho, arriando numa cadeira de braços de Madeira — eu sou Hercule Poirot.
— Sim, Monsieur?
— Não ouviu falar de mim?
— Jamais — disse Hipolyte.
— Permita-me informá-lo de que sua educação é falha. Meu nome está entre os grandes deste mundo. Pag. 253

— (…) Vocês contam mentiras e ficam pensando que ninguém vai saber. Mas há duas pessoas que sabem. Sim — duas pessoas. Uma é le bon Dieu…
Ele levantou uma mão para o céu, depois recostou-se na cadeira, fechou os olhos e murmurou, refestelado:
— E a outra é Hercule Poirot. Pag. 254
  
— Um espelho diz a verdade, mas cada um olha para o espelho de uma posição diferente. Pag. 278

— Mas eu sou um bom detetive. Desconfio. Não há ninguém nem coisa nenhuma que eu não suspeite. Não acredito em nada do que me é dito. Pag. 290




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quinta-feira, 7 de março de 2013

Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

Após muita discussão, concluíram unanimemente que eu era 
uma “aberração da natureza”. É com essa expressão, inventada 
para resolver todas as dificuldades, que os sábios disfarçam sua ignorância…

(Swift. Viagens de Gulliver, pag. 71-72)


   Viagens de Gulliver (Gulliver's Travels), de Jonathan Swift, é um clássico da fantasia que diz muito sobre a situação da Europa no século XVIII enquanto Gulliver realiza suas viagens a terras fantásticas. Uma crítica ferrenha à sociedade, vista de vários ângulos. Gulliver é patriota mas sempre que começa a falar sobre a Inglaterra aos líderes das nações fantásticas, ele vai percebendo que em seu mundo há muitas falhas que ele antes ignorava.
  O livro tem quatro partes, cada qual falando sobre sua passagem por alguma ilha com suas pecularidades. Gulliver sofre naufrágios ou motim, e quase sempre se vê sozinho num lugar desconhecido. Deixando sua família (mulher e dois filhos), ele se torna médico-cirurgião no navio Andorinha, em 1699, e é assim que acontece sua primeira grande descoberta: Lilipute.
  Depois do naufrágio, Gulliver se vê numa terra com pessoas de 25 cm, aproximadamente, que cabem no bolso de sua camisa. Os animais e árvores são proporcionais àqueles homenzinhos. Demonstrando-se humilde, Gulliver passa a ser bem visto na ilha de Lilipute. Aprende a língua, socializa-se e é claro, conhece o imperador, com seus discursos pomposos e pensamentos de ser "o maior imperador". Mas nesta terra Gulliver faz inimigos, ainda mais depois do episódio de ter apagado o fogo do quarto da imperatriz (cena hilária) pois muitos de seus homens são arrogantes e desconfiados. 
Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift
   Em outra viagem, desta vez a Brobdingnag, Gulliver está numa terra onde ele é o homenzinho. Essa ilha é habitada por gigantes, que o tratam como animal de circo, marionete; apenas querem se divertir a suas custas. Aqui Gulliver faz amizade com uma garota e vai morar na casa do imperador.

Se os seres humanos, segundo se observava, eram tanto mais selvagens e cruéis quanto maior o seu tamanho, o que devia esperar senão ser uma porção de comida na boca dos primeiros daqueles bárbaros enormes que viessem a me capturar? Sem dúvida, têm razão quem diz que nada é grande ou pequeno, senão por comparação. 
(Swift. Viagens de Gulliver, pag. 61)


  Outra parte de suas viagens engloba Laputa, Balnibarbi, Luggnagg, Glubbdubdrib e Japão: aqui, na ilha flutuante, as pessoas são dominadas pela sede de pensar apenas em matemática e estão sempre com muitos projetos (malucos), chegando a adormecerem em pensamentos e tratam as mulheres com machismo.
  Por fim, Gulliver acaba na terra dos Houyhnhnms: dominada por cavalos que são tão inteligentes. Nesta terra também há os Yahoo, mais parecidos com seres humanos porém sinônimo de tudo o que é ruim. Gulliver fica impressionado nesta terra e suas ideias podem sofrer grande transformação.
  Gulliver passa por diversas situações que o mudam, definitivamente. Em cada viagem, narrada em primeira pessoa, ele descreve sobre a política, tanto de seu país, quanto dessas terras fantásticas. É interessante quando ele nos põe a par do que os povos pensam dele, e assim sabemos que, visto por diferentes ângulos, os seres humanos possuem mais falhas e vícios do que percebem.
   A família de Gulliver é constantemente abandonada por ele, que não consegue viver sem se aventurar. Esse é o triste da história: apesar de tentar ser uma boa pessoa e amar seu país, está sempre a deixar a família; aliás, a cita em raros momentos. Ele passou dezesseis anos e sete meses viajando, vez ou outra voltando à Inglaterra.
   A obra é divertida porque vemos nosso mundo sendo ridicularizado: sabemos como ele é cheio de falhas; no entanto, quando alguém finalmente as aponta, vendo de outro modo, percebemos a situação até como sendo engraçada. Contudo, é possível perceber pelas entrelinhas a insatisfação do autor com os rumos de seu país.
   A narração é tão simples, de diário de bordo, que até parece que estamos lendo uma história real. É uma obra de fantasia inesquecível!

A verdade me pareceu tão adorável que 
estava determinado a sacrificar tudo por ela. 
(Swift. Viagens de Gulliver, pag. 156)


Escrito por MsBrown
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