"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

GAIMAN, Neil. Biografia. Inglaterra: 1960 -

"Ser um escritor é como ter um "trabalho" muito peculiar:
é sempre você versus um papel em branco (ou uma tela em branco)
e frequentemente o pedaço de papel em branco vence."
Neil Gaiman

Neil Gaiman é um dos autores de fantasia mais conhecidos no mundo. Recebeu diversos prêmios por seus romances e livros de quadrinhos, além de ter escrito episódios para séries britânicas, teatros e feito áudios.

Neil Gaiman
Neil nasceu em novembro de 1960, em Hampshire, Inglaterra. Em sua infância, sempre pedia aos pais para o deixarem numa biblioteca da cidade quando iam trabalhar. Ali Neil conheceu através das páginas os autores C.S. Lewis, J.R.R. Tolkien, James Branch Cabell, Edgar Allan Poe, Michael Moorcock, Ursula K. LeGuin, Gene Wolfe e G.K. Chesterton e passou a amar os livros. Seu primeiro livro a ser lançado foi uma biografia da banda Duran Duran e o segundo uma biografia do autor Douglas Adams, no fim dos anos 1980, com o título Don't Panic: The Official Hitchhikers Guide to the Galaxy Companion. Neil lançou o livro Violet Cases, com colaboração do artista Dave McKean, e conseguiu assinar um contrato com a DC Comics para realizar a minissérie Orquídea Negra (Black Orchid).

Seu sucesso mais estrondoso veio com o lançamento, em 1988, da série de histórias em quadrinhos Sandman. A série fez com que Neil fosse honrado com 9 Will Eisner Comic Industry Awards e 3 Harvey Awards e foi o primeiro comic a ganhar um prêmio literário, em 1991, da World Fantasy Award For Best Short Story.

Neil Gaiman

Neil Gaiman é o autor que acumula sucessos e é adorado pelos fãs. Foi um dos primeiros escritores a começar um blog e ter seu espaço na internet, escreveu o roteiro para a série como Neverwhere (1996) e para os filmes Mirrormask (2005), co-escreveu Beowulf (2007), de Robert Zemeckis, produziu o filme Stardust (2007) e dirigiu e roteirizou A Short Film About John Bolton (2002) e Statuesque (2009). Por seu livro Coraline, publicado em 2002, resenha aqui, Neil recebeu os prêmios British Science Fiction Award, Hugo, Nebula, Bram Stoker, American Elizabeth Burr/Worzalla Award e foi para os cinemas em 2009 como animação, sendo dirigido por Henry Selick e com a voz de Dakota Fanning como Coraline. Em 2011, o jornal The Times descreveu Neil Gaiman como um “herói”, isso porque ele tinha escrito o episódio The Doctor’s Wife, para a série britânica Doctor Who.

Atualmente vive em Minneapolis, nos Estados Unidos. Quando perguntado sobre o processo de criação, sempre diz "Você coloca uma palavra atrás da outra e de algum modo alcança o final". Saiba mais sobre o escritor em site, seu Tumblr e no vídeo da PEN America (clique aqui aqui e aqui). Para finalizar, assista a este vídeo em que Neil diz sobre o processo de criação de histórias (as imagens foram tiradas de filmes, mas a voz é do Neil):




Escrito por MsBrown
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sexta-feira, 26 de abril de 2013

CHRISTIE, Agatha. Biografia. Inglaterra: 1890-1972

Em 1890 nasceu a Dama do Crime, em Torquay, Devonshire, na Inglaterra. Agatha Mary Clarissa Miller, mais conhecida como Agatha Christie, escritora de romances policiais que criou o famoso detetive Hercule Poirot, Miss Marple e outros, além de suas obras serem as mais traduzidas do planeta, ficando atrás apenas da Bíblia Sagrada e das obras de Shakespeare.

Agatha Christie
Agatha era a filha mais nova e tinha dois irmãos, Madge e Monty - a primeira contava as histórias de Conan Doyle, Allan Poe e Leroux à caçula -, todos filhos do pai norte-americano, Frederick Miller, um corretor da Bolsa, e da mãe tímida, Clara Bohemer, aristocrata inglesa. Em 1896 a família mudou para a França. Era típico na época os pais mandarem somente os meninos para as escolas, educando as meninas em casa. Mas Madge foi para a escola e Agatha foi educada em casa, com professores particulares, aprendendo canto e piano - queria ser cantora de ópera, porém era muito tímida -, e a ler quando tinha apenas 5 anos de idade. Quando Agatha tinha 11 anos de idade, seu pai faleceu; com isso, ela se tornou mais próxima de sua mãe e elas passaram a viajar muito juntas, alugando a mansão de Ashfield para terem dinheiro sempre.

Voltando à Inglaterra, sua mãe passou a ter problemas de saúde e, tendo o médico sugerido que elas fossem morar num local mais seco, Agatha e sua mãe se mudaram para Cairo. Aqui Agatha passou a frequentar vários bailes, sua timidez aos poucos sumindo. O primeiro conto que escreveu foi quando estava com resfriado e de cama, sendo incentivada pela mãe e posteriormente foi encorajada pelo teatrólogo Eden Phillpots.

Agatha Christie, a Dama do Crime
Agatha foi enfermeira do Exército da Cruz Vermelha, na Inglaterra, durante a I Guerra Mundial. Em 1914, no Natal, ela casou-se com Archibald Christie, piloto do Royal Flying Corps, e adotou seu sobrenome que mais tarde tornaria conhecido no mundo todo. Madge desafiou Agatha a escrever um romance policial em que o leitor só descobrisse quem era o assassino quando a história estivesse no fim. Com isso, nasceu O Misterioso Caso de Styles (The Mysterious Affair at Styles), trazendo o detetive Hercule Poirot (que mais tarde participaria de 33 romances e vários contos), que demorou alguns anos para ser publicado (1920); o editor ainda queria que o final fosse alterado, mas depois da publicação e a descrição minuciada da morte por envenenamento, Agatha recebeu uma homenagem do Pharmaceutical Journal.

O verdadeiro objetivo de uma boa história policial é que o 
assassino seja alguém óbvio e que, ao mesmo tempo, por certas 
razões, descubramos que não é óbvio, e que, afinal, possivelmente 
não fora essa pessoa que cometera o crime.
(CHRISTIE, Agatha. Autobiografia)

Em 1919, Rosalind, a primeira e única filha de Agatha, nasceu. Em 1923, sua irmã Madge morreu. Em 1926, sua mãe morreu e seu marido a deixou para ficar com outra mulher. Apesar da crise familiar, Agatha lançou, ainda em 1926, o livro O Assassinato de Roger Ackoyd, pela editora Collins (a autora permaneceu nesta editora durante 50 anos e 70 livros); esta obra foi a primeira a ser dramatizada. Neste mesmo ano, ela desapareceu por 11 dias. Foi encontrada num hotel sob o nome da amante do marido e constatou-se que ela estava com amnésia. Ninguém, até hoje, sabe ao certo o que aconteceu durante esses dias ou para onde ela foi e por quê, e inclusive foi lançado o filme O Mistério de Agatha (Agatha), de 1979, estrelado por Dustin Hoffman e Vanessa Redgrave, com direção de Michael Apted, em que um repórter americano encontra Agatha Christie num sanatório maquinando um plano macabro. Para saber mais histórias tentando solucionar  esse estranho desaparecimento, leia a matéria do Guia do Estudante (clique aqui).
Dame Agatha Christie


- Quando o pescoço de um homem corre perigo, ele não perde tempo com sentimentos.
(CHRISTIE. O Caso dos Dez Negrinhos)


Monty, seu irmão, faleceu em 1929. Em 1930, Agatha lançou o primeiro livro com a personagem Miss Marple, Assassinato na Casa do Pastor. Casou-se com Max Mallowan, um arqueólogo 14 anos mais jovem que ela, que conheceu numa viagem à Mesopotâmia. Em 1934, ela lançou Assassinato no Expresso do Oriente, que foi transformado em filme e recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Ingrid Bergman, além de ter sido indicado por melhor ator (Albert Finney), melhor fotografia, melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora, melhor figurino e ganhou três prêmios no BAFTA por melhor ator coadjuvante (John Gielgud), melhor atriz coadjuvante e melhor trilha e outras indicações.

Em 1971, recebeu o título de Dame pela Ordem do Império Britânico. Faleceu em janeiro de 1972 em Oxfordshire, de causas naturais e seu marido também morreu, dois anos depois. Ela tinha 85 anos e 80 livros publicados, com 1 trilhão de cópias ao redor do mundo. Deixou um patrimônio de 20 milhões de dólares e obras a serem publicadas postumamente, inclusive sua autobiografia.

A filha de Agatha morreu em 2004, aos 85 anos e de causas naturais. Agatha também publicou sob o pseudônimo Mary Westmacott e como Agatha Christie Mallowan. Ela não se limitou aos romances policiais, chegando a escrever livros românticos, contos e peças teatrais.

Agatha Christie instiga os leitores a pensarem e a reconheceram pistas, mas sempre a conclusão, a solução do crime é diferente daquela que os leitores consideraram. Seu estilo de escrita é rápido, há várias referências a aquilo que ela conheceu: lugares, remédios, venenos, todos combinados para uma trama perfeita. Em seu site, é possível saber mais sobre a história desta incrível escritora (clique aqui).



Escrito por MsBrown

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domingo, 31 de março de 2013

QUEIROZ, Rachel. Biografia. Brasil: 1910-2003

Rachel de Queiroz descendia pelo lado materno do Alencar: sim, José de Alencar, autor de Iracema, O Guarani e outros. Escreveu o clássico O Quinze quando tinha apenas 20 anos de idade. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. A autora foi inspirada por Trotski e também apoiou a ditadura militar no Brasil.

Nascida em 1910, em Fortaleza, Ceará, Rachel era filha do Juiz de Direito, homem que a ensinou a ler, nadar, cavalgar. Aos cinco anos, ela leu Ubirajara, de José de Alencar. Rachel também assistiu à seca de 1915. Esse fato levou sua família a decidir ir para o Rio de Janeiro, em 1917, posteriormente mudando-se para o Pará e, depois de dois anos, voltando à cidade natal. No Ceará, Rachel formou-se professora aos 15 anos, em 1925, e acompanhava os  lançamentos de livros nacionais e internacionais, ato apoiado pela mãe; Rachel escrevia textos, mas era tímida quanto a mostrar seus escritos às pessoas. Em 1926, sua irmã nasceu; seus outros três irmãos já estavam falecidos.

Com o pseudônimo Rita de Queluz, Rachel publicou crônicas e poemas no jornal O Ceará. Ela começou enviando uma carta, em 1927, ironizando o concurso "Rainha dos Estudantes" - e esse fato fez o diretor do O Ceará convidá-la a colaborar com o jornal. Anos mais tarde, porém, quando lecionava História na escola onde se formara, Rachel foi coroada "Rainha dos Estudantes". Ela publicou seu primeiro romance em forma de folhetim, História de um Nome, neste mesmo ano. No próximo ano ela ingressou no Bloco Operário Camponês de Fortaleza, cada vez mais interessando-se por política.


Rachel de Queiroz, consagrada por O Quinze
Por causa dos problemas respiratórios, Rachel teve que fazer tratamento de saúde em casa, aos dezenove anos. Com isso, ela passou a escrever a obra que a consagraria ícone importante da literatura brasileira: O Quinze. Forte obra sobre a seca de 1915, com linguagem enxuta, Rachel investiu na impressão de mil exemplares e recebeu o prêmio da Fundação Graça Aranha em 1931. A obra foi muito bem elogiada no Rio de Janeiro e em São Paulo, prendendo a atenção de Frederico Schmidt e Mário de Andrade, e a idade da autora na época (20 anos) deixou várias pessoas encantadas. No Rio de Janeiro, Rachel conheceu o Partido Comunista e, em sua volta ao Ceará, ajudou a fundar o partido lá. Mas em 1932 o partido recusou seu mais novo livro, João Miguel, - isso porque um operário mata o outro - o que faz Rachel deixar a organização. Rachel casou-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira e mudou-se para São Paulo em 1933 - ano em que sua filha Clotilde nasceu em Fortaleza, porém morreu de septicemia depois de apenas 18 meses de vida -, ficando lá até 1934, aproximando-se do partido trotskista.

"Durante muito tempo ficou-me a ideia idiota de que ela era homem, 
tão forte estava em mim o preconceito que excluía as mulheres da literatura." 
Graciliano Ramos

Voltou para o Nordeste em 1934, fazendo amizade com Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Jorge Lima, além de conhecer o pai do futuro presidente da República Fernando Collor. Com o Estado Novo, Rachel foi acusada de ser comunista e teve seus livros queimados, ficando presa por três meses. Em 1939, divorciou-se de seu marido, indo morar no Rio de Janeiro; no próximo ano conheceu o médico Oyama de Macedo, com quem mais tarde se casou e permaneceram juntos até a morte dele em 1982. Quando Trotski faleceu, Rachel abandonou os ideais de esquerda. Ela lançou os livros Caminho de Pedras (1937), O Galo de Ouro (1950), entre outros.

Rachel de Queiroz
Em 1964, Rachel apoiou a ditadura militar. Ela escrevia para vários jornais, mas passou a ser exclusiva da revista O Cruzeiro até 1975. Recebeu o Prêmio Saci do jornal O Estado de São Paulo por sua primeira peça de teatro chamada Lampião. Em 1957, recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Já foi convidada pelo presidente Jânio Quadros para ser ministra da Educação, cargo que recusou. O presidente Castelo Branco a nomeou para ser delegada do Brasil na 21° Sessão da Assembleia Geral da ONU, e passou a integrar o Conselho Federal de Cultura de 1967 até 1985. Sua estreia na literatura infantil foi com O Menino Mágico, em 1969. Em 1977, tendo como patrono Bernardo Guimarães, passou a integrar a Academia Brasileira de Letras, a primeira mulher a conseguir ser eleita. 


"Eu não entrei para a Academia por ser mulher. 
Entrei, porque, independentemente disso, tenho uma obra. 
Tenho amigos queridos aqui dentro. Quase todos os 
meus amigos são homens, eu não confio muito nas mulheres." 
Rachel de Queiroz, quando entrou para a Academia

Sua obra As Três Marias estreou na televisão como novela, em 1980, pela Rede Globo, Dôra, Doralina foi adaptada ao cinema em 1981 por Perry Salles e Memorial de Maria Moura também teve seu espaço na TV em 1994 como minissérie - e Rachel recebeu pelos direitos autorais a quantia de U$S 50 mil. Em 1985 foi inaugurada em Tel Aviv, Israel, a Casa de Rachel de Queiroz. Suas obras foram traduzidas por vários países. A Editora Siciliano pagou U$S 150 mil para publicar a obra completa da autora.

Em 1993, Rachel recebeu os prêmios Camões, de Portugal, e o Juca Pato, da União Brasileira de Escritores. Nos anos 2000, ela escreveu um livro com a irmã, Maria Luiza. Aos 90 anos de idade, Rachel afirmou que não gostava de escrever e que o fazia para se sustentar. Em 2003 foi criado em Quixadá o Centro Cultural Rachel de Queiroz.


Rachel de Queiroz
Rachel de Queiroz faleceu em novembro de 2003, dormindo em sua rede, no Rio de Janeiro, deixando o livro Visões: Maurício Albano e Rachel de Queiroz a ser publicado postumamente.

Rachel deixou vários livros com parceria, de memórias, obras importantes para o país; ganhou vários prêmios, fez traduções. Apesar de ter sido um marco para o movimento feminista e para o comunismo, Rachel não os apoiou de todo.


Desejo de se integrar numa natureza diferente daquela que o cercava, 
de crescer, de subir, de bracejar num emaranhado de ramos, de se 
sentir envolto em grandes flores macias, de derramar seiva, 
a seiva viva e forte que o incandescia e tonteava.
Mas o cansaço o amolentava.
Recordando a labuta do dia, o que o dominava agora era 
uma infinita preguiça da vida, da eterna luta com o sol, com a 
fome, com a natureza. 
(QUEIROZ. O Quinze, pag. 55/56)



Escrito por MsBrown
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ANDRADE, Carlos Drummond. Biografia. Brasil: 1902-1987

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902 em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais. Filho de fazendeiro, não levava jeito para cuidar da terra, mas das palavras. 

O poeta Carlos Drummond de Andrade
Na escola, teve uns momentos difíceis, primeiro tendo de interromper os estudos em 1916 por problemas de saúde e no ano seguinte tendo aulas particulares; em 1920, foi expulso do Colégio Anchieta por "insubordinação mental". No mesmo ano, mudou-se com a família para Belo Horizonte, onde cursou Farmácia e publicou alguns trabalhos em Sociais, uma seção do Diário de Minas. Em 1922, recebeu 50 mil réis como prêmio por seu conto "Joaquim no Telhado", no concurso Novela Mineira. Em 1924 enviou uma carta ao poeta Manuel Bandeira demonstrando sua apreciação e ainda conheceu Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, importantes nomes para a cultura brasileira.

Drummond casou-se em 1925 com Dolores Dutra de Morais e voltou a Itabira, onde não seguiu a carreira farmacêutica, com a justificativa de que queria preservar a saúde das pessoas. Drummond lecionou Geografia e Português e então voltou para Belo Horizonte para trabalhar como redator-chefe do Diário de Minas. Seu primeiro filho nasceu em 1927, Carlos Flávio, que viveu apenas por meia hora e foi homenageado pelo pai com o poema "O Que Viveu Meia Hora". Depois, nasceu Maria Julieta, em 1928, que mais tarde se tornou cronista, emobra não teve muito destaque. No ano de nascimento da filha, Drummond publicou, na Revista de Antropofagia de São Paulo, o poema "No Meio do Caminho", que foi importante para o movimento Modernista no Brasil e o tornou famoso. Esse poema também produziu um escândalo na imprensa, que o considerou uma provocação pela repetição e pelo uso de "tinha uma pedra" ao invés de "havia uma pedra". Em 1929, trabalhou como auxiliar de redator no jornal Minas Gerais e posteriormente se tornou redator.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(DRUMMOND. No Meio do Caminho, 1928)

Carlos Drummond de Andrade
Em 1930, Drummond publicou seu primeiro livro, Alguma Poesia. Foram 500 exemplares, pagos pelo autor. Novamente mudou de emprego e inaugurou A Revista, órgão vanguarda de divulgação do Modernismo no Brasil. Em 1931, seu pai faleceu.  Drummond mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1933, e nunca mais retornou à Itabira. Trabalhou no Ministério de Educação e Saúde, foi Chefe de Gabinete. Influenciado pelo caos em que o mundo se encontrava, com as guerras mundiais, Drummond lançou o livro Sentimento do Mundo, em 1940, que demonstrava sua insatisfação com o que acontecia além mares e no próprio Brasil, com o Estado Novo - apesar de trabalhar para o governo. Aos 49 anos de idade, Drummond iniciou um relacionamento amoroso com Lygia Fernandes, paralelo ao casamento. Quando fez 80 anos, o poeta foi homenageado com exposições na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa. Escreveu livros infantis, contos e crônicas, além dos famosíssimos poemas. Em 1987, Maria Julieta, filha do poeta, falece. Doze dias depois, a vez é de Carlos Drummond de Andrade: um nome importante da literatura que se tornou eterno.

Ao escrever poesia, o que procurei fazer foi resolver problemas internos meus, 
problemas de ascendência, problemas genéticos, problemas de natureza psicológica, 
de inadaptação ao mundo, como ele existia. Foi a minha autoterapia.
(Drummond em entrevista a Zuenir Ventura, da revista Veja-Rio, em 1980)

O crítico Affonso Romano de Sant'Anna, que também fez a crítica do trabalho de Clarice Lispector, clique aqui, definiu a poesia drummondiana como "eu versus mundo":
  • Eu maior que o mundo: marcada pela poesia irônica
  • Eu menor que o mundo: marcada pela poesia social
  • Eu igual ao mundo: abrange a poesia metafísica
 
Entre 1988 e 1990, a efígie de Drummond foi impressa nas notas de cinquenta cruzados novos. Em Porto Alegre, há uma estátua do poeta, juntamente com Mário Quintana, chamada "Dois Poetas". Em sua cidade natal, Itabira, há um memorial. Drummond também rendeu um documentário de Fernando Sabino e David Neves em 1972, O Fazendeiro do Ar, clique aqui para assistir, e em 2002, outro documentário, de Paulo Thiago, chamado Poeta de Sete Faces.Poemas de Drummond se tornaram populares e são conhecidos até hoje.

Estátua de Drummond em Copacabana, Rio de Janeiro.
No banco está escrito "No mar estava escrita uma cidade."

 Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
(DRUMMOND. Os Ombros Suportam o Mundo)

 Escrito por MsBrown
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

STOWE, Harriet. Biografia. Estados Unidos: 1811-1896

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança 
que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar... 
Eu espero que cada mulher que possa escrever não fique em silêncio."
 (Harriet B. Stowe para o editor do jornal National Era)


Harriet Beecher nasceu em 14 de julho de 1811, em Connecticut, numa família envolvida em causas sociais. Seu pai era ministro congressionalista e sua mãe era religiosa, porém morreu quando Harriet tinha apenas cinco anos de idade. Harriet tinha doze irmãos, como Catharine Beecher, uma educadora que possuía uma escola para garotas, e alguns de seus irmãos se tornaram ministros (melhor forma de influenciar a sociedade naquela época). Sua irmã mais nova, Isabella, foi a fundadora da Associação Nacional de Sufrágio das Mulheres.

Harriet Beecher
O pai de Harriet ensinava religião na Sarah Pierce's Litcfield Female Academy (onde Harriet estudou) e aprimorou o talento para o debate seus alunos e filhos. Essa escola foi uma das primeiras a encorajar as garotas a desenvolveram outros assuntos e não apenas artesanatos. Em 1824, Harriet se tornou estudante na Hartford Female Seminary, escola fundada pela irmã Catharine.

Aos 21 anos, Harriet mudou-se para Cincinnati, Ohio, e juntou-se Semi-Colon Club, um grupo de escritores talentosos e outros, conhecendo deste modo Salmon P. Chase (Chefe de Justiça dos Estados Unidos), a autora Caroline Lee Hentz e Emily Blackwell (terceira mulher a receber diploma de médica nos Estados Unidos). Em 1836, Harriet se casou com Calvin Ellis Stowe, professor, ao qual conhecera nesse grupo. Juntos, tiveram sete filhos. Mudaram-se para Maine.

O pai, irmãos, marido e membros do grupo Semi-Colon Club compartilhavam com Harriet a indignação com a escravidão. Em 1850, o Congresso aprovou a lei do Escravo Fugitivo, em que os escravos eram perseguidos, mesmo se fossem para o Norte (onde eram contra a escravidão), para retornarem a seus proprietários do Sul. Para expressar sua indignidade, Harriet passou a escrever uma história anti-escravidão para o jornal National Era, em 1851, chamada Uncle Tom's Cabin (A Cabana do Pai Tomás), com o subtítulo The Man That Was a Thing (O Homem Que Era Uma Coisa), que logo mudou para Life Among The Lowly (A Vida Entre os Humildes). A história virou livro e foi publicada no ano seguinte, numa tiragem de cinco mil cópias. Em menos de um ano, no entanto, foram vendidos três milhões de livros. O livro serviu para fermentar a Guerra Civil dos Estados Unidos (entre o Norte - anti-escravidão e o Sul - escravista). Logo que a guerra começou, Harriet foi a Washington e lá conheceu o presidente Abraham Lincoln, em 1862. A lenda é que Lincoln dissera a ela "Então você é a mulher que escreveu o livro que causou essa grande guerra", mas a verdade é que as informações sobre esse encontro são vagas.

Harriet Stowe continuou a escrever livros sobre causas sociais, porém não foram tão populares quanto A Cabana do Pai Tomás, como The American Woman's Home (1869), Lady Byron Vindicated (1871) e Pogunuc People (1878) e publicou duas obras como Christopher Crowfield. 

Harriet Beecher Stowe
A família Beecher também sofreu um escândalo quando, na década de 1870, o irmão Henry Ward Beecher foi acusado de adultério. Harriet continuou apoiando o irmão, acreditando que ele era inocente, mas mudou-se para a Flórida a fim de passar um tempo longe do escândalo.

Harriet B. Stowe morreu em julho de 1896, em Hartford, Connecticut. Seu corpo foi enterrado em Massachusetts e na lápide escreveram "Seus filhos se levantam e a chamam de abençoada".

O livro A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, foi bastante comparado com A Cabana do Pai Tomás, por se tratar do mesmo assunto.

Em 2001, a Bowdoin College levantou fundos para restaurar a casa em que Harriet viveu, no Maine, enquanto escrevia A Cabana do Pai Tomás. Sua casa em Connecticut foi transformada em museu e a casa ao lado também é aberta ao público, pois Samuel Clemens (conhecido como Mark Twain, famoso escritor) era seu vizinho.

Harriet B. Stowe nasceu de uma família que a influenciou muito religiosamente e que lutava pela igualdade dos homens e mulheres, fosse qual cor ou condições sociais. Uma das mais significativas pessoas na luta contra a abolição que ocorreu em seu país na Guerra Civil. Harriet lutou pelo que acreditava com suas palavras que conseguiu fazer parte do movimento que mudou a realidade de seu país. Isso é uma prova de que a literatura pode mudar as pessoas e consequentemente mudar o lugar em que elas vivem.



"Eu escrevi isso porque como uma mulher, como uma mãe, eu estava oprimida e de coração partido com o sofrimento e injustiça que via, porque como uma cristã eu senti a desonra ao cristianismo - porque como uma amante de meu país, eu tremia da vinda do dia da ira"
Harriet Stowe sobre porque escreveu A Cabana do Pai Tomás

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domingo, 16 de dezembro de 2012

CABOT, Meg. Biografia. Estados Unidos: 1967-

A coroa de rainha teen literária de Meg Cabot se encaixa nela justamente pela criação de sua princesa adolescente Amelia Thermopolis, protagonista da série O Diário da Princesa. Com boas pitadas de humor, Meg Cabot criou livros que encantaram pessoas no mundo todo. Com 75 livros lançados, a escritora é a referência de muitos autores voltados para o público adolescente ou jovem adulto. Mas sua trajetória foi marcada com muitas rejeições que com o tempo ela conseguiu subestimar.


   “Você não é uma fracassada, Amelia”, disse Grandmère. “Você é uma princesa. E princesas não saem correndo quando as coisas ficam difíceis. Elas jogam seus ombros para trás e encaram qualquer desastre que espere por elas de cabeça erguida. Bravamente, e sem reclamar.”
CABOT, Meg. A Princesa Apaixonada.

Meg Cabot, a "Rainha Teen" Literária

Meg Cabot nasceu como Meggin Patricia Cabot em Bloomington, Indiana - Estados Unidos - em 1967. Já morou na França, Califórnia e também em Nova York e Flórida. Quando jovem, lia Jane Austen, Judy Blume e Barbara Cartland. Graduou-se em Artes na Universidade de Indiana, em 1991, e mudou-se para Nova York para tentar a carreira de ilustradora. Largou essa carreira para trabalhar durante dez anos como assistente administrativa no alojamento estudantil da Universidade de Nova York, fato que a inspirou a escrever a série Os Mistérios de Heather Wells. No entanto, os primeiros romances de Meg, que eram históricos, foram lançados sob o pseudônimo Patricia Cabot.

Meg Cabot se casou com o escritor financeiro e poeta Benjamin D. Egnatz (em quase todos os livros o marido aparece nos Agradecimentos e na Dedicação) no dia 01 de abril de 1993 numa fuga para a Itália - fato que talvez a tenha inspirado para escrever Todo Garoto Tem. A data foi escolhida por ser o April Fool's Day (dia dos tolos), porque Benjamin acreditava que apenas os tolos se casavam. Meg e Benjamin se conheceram numa festa  quando ela estava no Ensino Médio, onde ele a aconselhou a não estudar Escrita Criativa, porque isso a faria não gostar mais de escrever. Ela seguiu seu conselho e se formou em Artes, assim não gostando mais de Arte. Quando se mudou para Nova York, encontrou-o novamente e casou-se com ele.

No ano seguinte ao casamento de Meg, seu pai morreu. Percebendo como a vida é curta, Meg, no mesmo dia do funeral, enviou um original para editoras. Foi rejeitado. Não tinha feito isso antes porque era tímida. Sua avó costumava dizer "Você não é uma nota de cem dólares, nem todo mundo vai gostar de você", o que motivou Meg a continuar enviando originais. Cinco anos depois seu primeiro livro foi publicado, A Rosa do Inverno, sob o pseudônimo Patricia Cabot.

Meg Cabot com um exemplar de O Diário da Princesa
Sua mãe resolveu namorar seu professor da faculdade e... Sim, a ideia de O Diário da Princesa surgiu neste momento, combinado ao fato de que Meg, quando criança, dizia que seus verdadeiros pais eram o rei e a rainha que estavam vindo buscá-la para levá-la ao castelo. A série era para ser composta de dezesseis livros, ou seja, quatro livros por ano escolar da protagonista Mia Thermopolis. Meg Cabot passou por dificuldades porque não havia editor que quisesse publicar o livro. Quando finalmente conseguiu vendê-lo, o editor estava interessado em apenas um. O editor do Reino Unido se mostrou interessado em três, de modo que Meg teceu a última história como sendo mesmo a final. Acontece que, quando a Disney comprou os direitos dos livros para fazer o filme (estrelado por Anne Hathaway e Julie Andrews), os dois editores pediram mais livros. Afinal, os dezesseis inicialmente pensados pela escritora conseguiram ser lançados e fizeram sucesso.

Meg Cabot
Outra série de sucesso é A Mediadora. Meg teve a ideia também quando seu pai morreu e ela tinha a impressão de vê-lo pelo canto dos olhos. Começou a pensar se existiam fantasmas e se era capaz de vê-los... A Mediadora tem como cenário Carmel, na Califórnia, onde Meg morou quando era criança. Seu pai ensinava na Academia Naval em Monterey e Meg e os irmãos estudaram na Junipero Serra Mission School, mesmo lugar que Susannah Simon (a protagonista da série) estuda. A escritora afirma que, apesar de o ambiente ser real, os personagens, por sua vez, são totalmente fictícios. Meg Cabot conseguiu publicar os quatro primeiros livros mas acabaram não vendendo bem, de modo que a editora desistiu de publicar mais. No entanto, a série O Diário da Princesa estava vendendo muito bem. A HarperCollins, editora responsável, se interessou pela série A Mediadora e concordou em não somente reeditar os quatro livros mas também deixar Meg publicar mais dois.

Meg Cabot também escreveu as séries 1-800-Where R You?, Os Mistérios de Heather Wells, A Rainha da Fofoca, Cabeça de Vento, A Garota Americana, As Leis de Allie Finkle, Avalon High, Garotos (escritos através de e-mails entre os personagens), romances históricos como Patricia Cabot e usou o pseudônimo Jenny Carrol, além de escrever vários outros livros, além de contribuições com contos em livros por vários autores. Foi criadora da história do filme Sonhos no Gelo (Ice Princess), de 2005, juntamente com Hadley Davis, que fez o roteiro.

Meg Cabot veio ao Brasil durante a Bienal do Livro e admitiu que gosta de Clarice Lispector. Em 2013 será lançado pela editora Record um livro de contos modernos, ao qual Meg participa juntamente com as escritoras Lauren Kate, Paula Pimenta e Patrícia Barboza. Meg contribuirá com o conto A Bela e a Fera, contado à sua maneira.

Meg atualmente vive em Key West, Flórida, com o marido e dois gatos. Um dos gatos é a Henrietta, de um olho só.

Publicações de Meg Cabot no Brasil

Escrito por MsBrown
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

LISPECTOR, Clarice. Biografia. Brasil:1920-1977.

"Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu!" 
Clarice Lispector em entrevista, 
comentando sobre quando começou 
a ler um livro numa livraria aos 15 anos 

Clarice Lispector, de origem judaica, nasceu como Haia Pinkhasovna Lispector na Ucrânia em 1920. Seus pais foram perseguidos por serem judeus durante a Guerra Civil Russa (1918-1921), e Clarice chegou ao Brasil aos dois meses de idade. O pai sugeriu a troca dos nomes, e foi aí que Haia passou a se chamar Clarice. Naturalizada brasileira, quando questionada sobre a Ucrânia, ela afirmava que "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo", e que sua pátria era o Brasil.

Em Recife, Clarice aprendeu a ler e a escrever. Falava vários idiomas (francês, inglês, idiche, hebraico). Passou por uma situação difícil aos nove anos quando a mãe morreu das consequências da doença sexualmente transmissível sífilis, a qual tinha contraído ao ser estuprada durante a Guerra Civil Russa. Aos dezesseis anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde terminou os estudos e foi aceita na faculdade de Direito, em 1939, na Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Data de maio de 1940 seu primeiro texto publicado, Triunfo, pela Revista Pan.

Clarice Lispector, sempre em busca da identidade

O pai de Clarice morreu em 1943 após uma cirurgia de retirada da vesícula biliar. Devastada, ela abandonou a religião judaica. Ainda nesse ano, foi contratada pela Agência Nacional para distribuir notícias aos jornais e emissoras de rádios. Casou-se com Maury Gurgel Valente, um diplomata, e por conta de seu cargo no Ministério das Relações Exteriores, teve de viajar para a Itália. Clarice acompanhou o marido e se tornou voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira, em plena Segunda Guerra Mundial. Em 1943 também lançou seu primeiro livro, escrito aos dezenove anos, Perto do Coração Selvagem, surpreendendo o público pela crise existencial presenteMorou nos Estados Unidos, Suíça, Inglaterra, porém sempre sentindo saudade do Brasil.
Clarice Lispector, uma das principais escritoras brasileiras

Em 1948, na Suíça, nasceu seu primeiro filho, Pedro. Clarice começou a se sentir culpada pois, na adolescência, o filho foi diagnosticado com esquizofrenia. Em 1953, nos Estados Unidos, Clarice deu à luz seu segundo filho, Paulo. Em 1959, separou-se do diplomata e voltou ao Rio de Janeiro. A escritora já trabalhou pelo pseudônimo Helen Palmer e como ghost-writer da atriz Ilka Soares.

Em 1966, Clarice dormiu com o cigarro aceso, o que causou um incêndio. Ela foi levada ao hospital com risco de morte por três dias. Depois disso, ainda permaneceu hospitalizada por dois meses.

Em 1977, pouco após o lançamento de seu romance mais popular, A Hora da Estrela, Clarice foi hospitalizada com câncer inoperável no ovário. Morreu no mesmo ano, na véspera de seu aniversário de 57 anos.

Clarice Lispector é conhecida como autora intimista, que divaga em suas obras a busca da individualidade. Seus personagens sentem o ímpeto de libertação das amarras sociais ao alcançarem as respostas de sua própria situação. A introspecção é essencial para o leitor compreender que, como Clarice declarou "os meus livros não se preocupam com os fatos em si, porque para mim o importante é a repercussão dos fatos no indivíduo". Desse modo, a estrutura dos livros atendem a uma certa liberdade literária, em que há mais ênfase naquilo que os personagens pensam, sentem e descobrem no desfecho.

O crítico Affonso Romano de Sant'Anna definiu a narrativa de Lispector em quatro tópicos básicos:

1. A personagem é disposta numa determinada situação cotidiana.
2. Prepara-se um evento que é pressentido discretamente pela personagem (algo como uma inquietação).
3. Ocorre o evento que ilumina sua vida (epifania - descoberta da própria identidade a partir de um estímulo externo).
4. Apresenta-se o desfecho, no qual a situação da vida da personagem, após a epifania, é reexaminada.

Extremamente popular no mundo "virtual", adolescentes que nunca leram qualquer romance da autora buscam por citações e se identificam. O problema é que em algumas situações, essas frases são falsas, divulgando-se, assim, uma falsa Clarice. O estilo "clariciano" de escrever instigou vários estudiosos e inspiraram vários outros autores.

O blog de Gustado Dourado põe em poesia a biografia de Clarice. Para ler, clique aqui. A editora Rocco em 2012 criou A Hora de Clarice, uma homenagem em eventos e postagens a essa escritora que tanto inspirou a literatura atual, em que são lançados edições novas para seu aniversário, 10 de dezembro.

Clarice, "a bruxa da literatura brasileira"




"A literatura deve ter objetivos profundos e universalistas: deve refletir e questionar sobre um sentido para a vida e, principalmente, sobre o destino do homem na vida."
Clarice Lispector







Alguns títulos de Clarice Lispector publicadas pela Editora Rocco



CURIOSIDADES

  • Em 1944, o livro Perto do Coração Selvagem ganhou o prêmio de melhor romance de estreia pela Fundação Graça Aranha.
  •  O título de "a grande bruxa da literatura brasileira" se deu pois Clarice realizou uma viagem à Colômbia, em 1975, convidada a participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, onde apresentou um de seus contos. Essa viagem criou no Brasil a mitologia entre alguns jornalistas que passaram a afirmar que tinham visto aparições da escritora vestida de preto e coberta de amuletos. 
  • Ao longo de sua vida, Clarice foi amiga de Fernando Sabino e Rubem Braga.
  • O cantor Cazuza leu o livro Água Viva por 111 vezes e criou a música Que o Deus Venha inspirado no romance. Para assistir no Youtube, basta clicar aqui.
  • Clarice Lispector traduziu os livros O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, dois romances de Agatha Christie, contos de Edgar Allan Poe e outros.
  • A filósofa francesa Hélène Cixous, sem saber como classificar a obra de Clarice Lispector, disse que há a literatura brasileira a.C (antes de Clarice) e d.C (depois de Clarice).
  • Seu livro de contos de 1974,  A Via Crucis do Corpo, possuía alto caráter sexual e foi considerado pela revista Veja e Jornal do Brasil como "lixo".
  • Clarice trabalhou como colunista no Jornal do Brasil, Correio da Manhã e Diário da Noite entre as déc. de 60 e 70, escrevendo sobre o mundo feminino e suas vaidades.
  • Benjamin Moser, que escreveu a biografia de Clarice, Why This World?, que no Brasil recebeu o nome "Clarice", tem dois projetos em 2012: um documentário e um longa-metragem sobre a escritora, com o objetivo de torná-la mais conhecida ao redor do mundo.

“Para que escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço pertencer a uma galáxia longínqua de tão estranho que sou de mim. Sou eu? Espanto-me com o meu encontro.”
LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela.

Escrito por MsBrown
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