"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Seleção, de Kiera Cass

  Na verdade eu era egoísta e geniosa, e não gostava de aparecer na frente dos outros. 
Não era corajosa, e esse emprego exigia coragem. Sim, emprego: 
não se tratava só de um casamento, mas de um cargo. 
(CASS. A Seleção, pag. 219)


  A Seleção (The Selection), de Kiera Cass, traz a nação Illéa (antigo Estados Unidos e antigo Estado Americano da China) dividida em castas. Fazendo parte da casta Cinco, que abriga os artistas, America Singer passa por maus bocados. A questão da alimentação, procura por trabalhos e até mesmo os assuntos românticos se tornam complicados. America está apaixonada por um Seis, Aspen, porém o romance parece impossível - eles namoram escondidos e Aspen é orgulhoso demais para permitir que ela se case com ele e se torne uma casta abaixo. No entanto, a família está esperançosa que America seja selecionada para participar da "competição" nacional em que a vencedora se tornará esposa do príncipe Maxon. A Seleção é uma maneira que o governo encontrou para demonstrar ao povo seu apoio, assim casando os príncipes com as castas abaixo.
A Seleção, de Kiera Cass
   America é selecionada e vai ao palácio, juntamente com outras trinta e quatro garotas, entre dezesseis e vinte anos, de diversas castas. Cada qual pretende ou se casar com o príncipe, ou sustentar a família com o dinheiro enviado pelo governo. America está lá pelo dinheiro (e comida) e inicialmente pensa que Maxon, o príncipe, é um esnobe que não reconhece o sacrifício dessas garotas de ficar um tempo longe da família - a Seleção pode durar semanas e meses, até Maxon escolher sua esposa. Mas então a relação entre essa garota Cinco e o príncipe se torna amigável, uma vez que America não mede palavras para se dirigir a ele e mostra-se o tempo todo forte em seus princípios. Entre vestidos pomposos, jantares chiques, sessão de fotos e vídeos, aulas de etiqueta e transmissões pela televisão sobre a Seleção, America conhece garotas que fariam de tudo para ganhar a coroa e outras que são como ela: estão ali por outros motivos. Cabe a America certificar-se que seu novo amigo escolha a garota mais especial dali, e que ela mesma não caia em seu charme. 
 
Aquilo que parecia pouco mais que um programa de TV para mim
era a única chance que o príncipe tinha de ser feliz.
(CASS. A Seleção, pag. 128)
 

    Entre aulas de História, conversas com Maxon e recentes ataques ao palácio, fica óbvio para a protagonista que os ataques de rebeldes transmitidos pela televisão são mais sérios e constantes do que imaginara. E mesmo o palácio, com toda a segurança, mostra-se falho. Com isso, ela extrai mais a confiança de Maxon, por sempre estar lá para ouvi-lo quando o governo não vai bem, e quando ele quer apenas espairecer.
   Há uma competição de garotas pela coroa, e outra de rebeldes pelo governo. E apenas um príncipe. E uma garota para certificar-se que ele faça as escolhas certas, enquanto ela tenta entender o que aconteceu com seu mundo.
  A escrita é simples. A leitura é rápida. A autora não explorou muito os assuntos envolvendo a guerra, a criação da nação de Illéa e, apesar de sempre destacar as castas, também não se aprofundou muito. A meu olhar, é um livro romântico que poderia facilmente acolher diversos assuntos e estender seu público alvo. Por exemplo, se os ataques dos rebeldes fossem mais detalhados, as conversas entre Maxon e America produzissem maior reflexão sobre a política e a questão das castas, a competição em si - garotas fazendo o que fosse preciso para se destacarem e ganhar a coroa -, o livro ficaria mais espesso e íntegro.
   Confesso que comecei a ficar preocupada com o rumo da história quando estava quase acabando. Era surpreendente, eu não fazia ideia do que poderia acontecer. Uma página para o livro acabar e... Espere, é assim que acaba? Tudo bem, vai ter continuação. Mas ficou tudo muito apressado e não me deu aquela sensação de livro "perfeito", como costumo dizer. Talvez a continuação mude isso, e estou ansiosa para lê-la. De todo modo, recomendo a leitores de click-lit e distopia mais leves.

Escrito por MsBrown
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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Especiais, de Scott Westerfeld

- Não tenho mais certeza do que eu sou, Zane. Às vezes acho que sou apenas o fruto do que outras pessoas fizeram comigo, uma grande série de lavagens cerebrais, cirurgias e curas. Sou o fruto disso e de todos os erros que cometi. De todas as pessoas que desapontei. 

(WESTERFELD. Especiais, pag. 183 e 184)


   Agora Tally Youngblood é uma Especial. Não, uma Cortadora, um dos principais grupos dentre os Especiais. Ela é uma arma letal. Em Especiais (Specials), terceiro livro da série Feios, de Scott Westerfeld, Tally precisa passar por uma transformação para enxergar a realidade, como ocorreu outras vezes, em que ela própria era capaz de colocar seu cérebro para funcionar sem a ajuda de cirurgias.
Especiais, de Scott Westerfeld,
terceiro livro da série Feios
   A Nova Fumaça resiste e as Circunstâncias Especiais não sabem onde está esse inimigo. Com o objetivo de tornar Zane um Especial (e Tally parar de sentir nojo dele por causa de sua aparência e modos medíocres), Tally e Shay armam um plano para deixar o garoto mais sagaz e conquistar a atenção da Dra. Cable. Tally acompanha Zane e outros Crims (inclusive Peris) pela floresta a fim de encontrar Nova Fumaça, mas está invisível, apenas para ajudá-los quando for estritamente necessário. O que Tally não esperava era que a natureza fosse mudá-la novamente. O que parecia perdido se reconstrói e novas percepções se unem aos ideais de Nova Fumaça.
   Por ser o final da história de Tally, os acontecimentos foram bem pensados, porém não produziu em mim aquela sensação de "peraí, eu quero ler mais". Fiquei feliz com algumas partes no final (não vou dar spoilers), não o suficiente para declarar este volume como o melhor. Scott Westerfeld muitas vezes me confundiu com as cenas de ação, sempre constantes nesta série, e me encantou com a ligação da protagonista com outras pessoas, por Tally ser alguém que, a princípio (em todos os livros), é alguém com os pensamentos influenciados pelo sistema e depois consegue mudar esta realidade.

Mas Tally tinha sido feita para isso - ou refeita, afinal, 
criada para caçar os inimigos da cidade e trazê-los perante a justiça. 
Para salvar a natureza da destruição. 
(WESTERFELD. Especiais, pag. 29)

Comentário geral sobre a série: O primeiro livro foi o que mais gostei. Os demais pareceram meio "cópias" do primeiro, com Tally sempre tendo de curar-se sozinha (o que é um feito e tanto, mas ficou batido). Gostei de ver o mundo dela se desmoronando, porque os ideais foram substituídos por outra visão, mas com o cuidado de não virar o mundo que nós, leitores, vivemos. A tecnologia está presente nos três volumes iniciais, e é o que permite as pessoas fazeram praticamente qualquer coisa - menos pensar por elas mesmas e lutar para conquistar algo. Há buracos na parede que cospem roupas legais, braceletes antiqueda, pranchas flutuantes e as cirurgias que permitiam aos indivíduos escolherem sua aparência. Mas é claro que Tally, embora no começo ache tudo isso muito legal, vai mudar sua visão.


   E agora um extra para os fãs de Feios, o quarto livro da série, com uma dedicatória interessante: "Para todos aqueles que me escreveram para revelar a definição secreta da palavra "trilogia"". Sério, Mr. Westerfeld?


    Extras, quarto livro da série Feios, é exatamente um extra da série, um bônus. Mas não é sobre Tally Youngblood (embora ela faça parte) e sim sobre Aya Fuse, uma garota normal de 15 anos e uma extra, que pretende ganhar fama e finalmente ser notada na sociedade em que vive - afinal, a regra agora é ser popular, e não perfeito. O nome "extra" faz alusão à época dos Enferrujados (ou seja, nosso mundo), em que, no cinema, para dar a ilusão de uma cidade ser populosa, precisavam contratar muitas pessoas, que não eram exatamente importantes para a história, mas que faziam parte do cenário: um extra, um figurante. 


(…) E para manter o sistema de reputação justo, cada cidadão 
acima da idade infantil ganhava o próprio canal — um milhão de 
histórias espalhadas pelo ar para ajudar a entender a libertação.
(WESTERFELD. Extras, pag. 39)
 
Extras, de Scott Westerfeld,
quarto livro da série Feios
   O irmão de Aya é um divulgador famoso e a garota quer impressioná-lo tornando-se uma divulgadora importante. Depois da revolução causada por Tally Youngblood, as pessoas ficaram confusas sobre o que fazer, gerando assim tantas ideias que, para serem espalhadas rapidamente, era necessário toda a tecnologia, criando-se assim muitos canais de vídeo. Aya tem seu canal que não atrai muita atenção, e está à procura de um grupo de garotas chamado Ardilosas que se arriscam surfando trens magnéticos. As Ardilosas não querem fama; sua chefe está sempre mudando de apelido para que os sensores da cidade não a transformem em famosa (quando se falam muito num nome, esse nome vai ganhando reputação e pode se tornar famoso). As Ardilosas querem apenas se divertir. Mas para fazer parte desse grupo - que nem todas as pessoas sabem que existe -, Aya Fuse não pode usar sua câmera Moggle. De todo modo, ela arrisca-se e consegue entrar para o grupo, mentindo sobre não querer fazer qualquer reportagem sobre ele, e levando consigo a leal Moggle. E mesmo que ela passe a conhecer Frizz Mizuno, um garoto com olhos de mangá e que diz apenas a verdade (afinal, foi ele quem fundou o grupo Honestidade Radical), a honestidade dele influenciará Aya?


A matéria tinha de tudo: rebeldes excêntricos, tecnologia misteriosa, 
tomadas impressionantes da natureza e um acidente de trem magnético 
que não aconteceu por um triz. E, claro, a velha e boa humanidade tentando 
destruir o planeta mais uma vez — todas as promessas e perigos da libertação 
reunidos em uma só reportagem. 
(WESTERFELD. Extras, pag. 164)

   Embora surfar trens magnéticos não seja assim tão simples, Aya e As Ardilosas descobrem algo perigoso que pode mudar o mundo em que vivem - e não para melhor. Aya percebe, então, que isso é a verdadeira reportagem que a fará ser famosa, embora seja de alto risco e especulações. Além disso, alguém muito famoso, mas que nunca está a vista, pode aparecer. Aya passa a descobrir o que é mais importante: a fama ou a divulgação da verdade para o mundo.

Comentário sobre o Extras: Confesso que gostei desse volume mais que o segundo e o terceiro da série, porque agora o foco é outra personagem que, apesar de ter pensamentos quase iguais aos da Tally no início e mostrar o amadurecimento. Para os fãs da série, foi um final decente, eu diria, realmente um extra, que também amarrou alguns pontos que ficaram vagos no terceiro livro. Neste volume vemos como a revolução de Tally influenciou todo o mundo e se isso foi bom ou ruim. A tecnologia está presente e mais intensa agora, há mais liberdade das pessoas serem o que quiserem se lutarem para isso.
  

Scott Westerfeld

- Você não está sozinha, Tally. Não finja que está. 
(WESTERFELD, pag. 302)

   Para ler a resenha do primeiro volume, clique aqui, e para ler sobre o segundo livro, clique aqui. Para mais informações sobre a série ou outras obras de Scott Westerfeld, acesse o site do autor aqui.
Escrito por MsBrown
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