"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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domingo, 3 de agosto de 2014

Focus, de Arthur Miller


No espelho do banheiro, o banheiro que usava há quase sete anos, 
estava vendo o que podia ser adequadamente descrito como 
a cara de um judeu. Realmente, um judeu entrara em seu banheiro. 
Os óculos fizeram exatamente o que temia que fizessem ao seu rosto, 
mas agora era pior, porque era real.
(MILLER, Arthur. Focus, pag. 32)

    Focus foi o romance de estreia do escritor estadunidense Arthur Miller, mais conhecido por suas peças de teatro. Lançado em 1945, trata do anti-semitismo praticado em Nova York, nos EUA, no final da Segunda Guerra Mundial.
  Lawrence Newman é um empregado da Company, uma empresa anti-semita muito respeitada no país. Mora com a mãe e não se deixa abalar com os problemas alheios, como uma mulher gritando no meio da noite, clamando pela polícia. Seu vizinho, Fred, é um homem que apoia a limpeza da cidade — com “limpeza”, leia-se “expulsão dos judeus que ali vivem”. O único judeu do quarteirão, Mr. Finkelstein, é um vendedor de jornais que não interfere de maneira negativa os outros moradores, apesar de ser tratado como “criminoso” por ser judeu.
   A vida de Newman ficara um tanto monótona e acomodada, depois de ter participado da guerra e ser responsável pela morte de um alemão. Agora possuía um emprego como recrutador na Company. Quando seu chefe o chama para uma conversa, tudo como conhecia começa a mudar, ou melhor, todas as máscaras começam a se desvanecer.
   O chefe observa que Newman contratou uma mulher inadequada para a profissão de datilógrafa, e esse erro era devido ao fato de Newman não enxergar bem. Ao passar no oculista e experimentar em casa os novos óculos, Newman se espanta com o que enxerga no espelho. Um judeu. Newman é descendente de ingleses e é cristão, porém seu rosto se assemelha a de um judeu quando usa óculos.
   De início, tenta não dar muita importância ao fato. No entanto, é despedido da Company porque sua aparência levou seus superiores a questionarem sua identidade. E não para por aí. Na procura por um novo emprego, é sempre visto como um judeu; seus vizinhos começam a estranhá-lo e a Frente Cristã passa a tê-lo e à sua mulher Gertrude Hart e ao Mr. Finkelstein como alvos para uma limpeza.
   O que parecia simples se torna o maior problema que lhe fora submetido: a identidade alheia, o ser judeu.

Focus, de Arthur Miller
   Então, que diabos poderia fazer para mostrar a essa gente que ainda era Lawrence Newman?
   O rosto. Parou junto a um poste de luz numa esquina. Mas o seu rosto não era ele. Ninguém tinha o direito de menosprezá-lo por causa do rosto. Ninguém! Ele era ele, um ser humano com uma biografia definida, e ele não era esta cara que parecia nascida de outra biografia, estranha e suja. Estavam querendo transformá-lo em duas pessoas! Olhavam para ele como se fosse culpado de alguma coisa, como se fosse feri-los! Não podiam fazer isso! Que não ousassem fazer-lhe aquilo, pois não era outra pessoa senão Lawrence Newman…!
(MILLER, Arthur. Focus, pag. 72)

   Demorei algum tempo para terminar de ler o livro, por conta da vida universitária. Mesmo lendo-o de gole em gole, consegui me conectar com a história e dizia a algumas pessoas que estava lendo um livro incrível. Quando comprei Focus, não fazia ideia do enredo. Não havia nada escrito na contracapa e também não havia orelhas. O nome do autor me impeliu a adquirir o livro, pois já tinha lido sua peça de teatro ganhadora do prêmio Pulitzer Morte de um Caixeiro Viajante, resenha aqui, e não me arrependo. Mergulhei numa história com o tema que tanto é analisado mas que foi escrito de uma maneira diferente na época em que tudo estava acontecendo. A audácia do autor foi imensa ao criar um personagem cristão e descendente de ingleses que, ao usar óculos, tinha a aparência de um judeu e por isso passou a sofrer preconceito. Colocou os leitores na pele da personagem principal: e se começassem a nos enxergar pelo que não somos e praticassem violência conosco por conta disso? Curiosidade: Miller era filho de um casal de imigrantes judeus polacos.
   A estratégia de Miller me lembrou a estratégia de Bernardo Guimarães na criação de A Escrava Isaura, clique aqui, uma escrava branca linda. Guimarães sabia que as mulheres de classe média leriam o livro e a maneira para fazê-las entender a escravatura como algo abominável, colocando uma escrava branca, que se assemelhava a elas, porque ler sobre uma escrava negra sofrendo não seria nada inédito e não criaria empatia.
   Em 2001, foi lançado o filme baseado em Focus, dirigido por Neal Slavin e estrelado por William H. Macy como Lawrence Newman, Laura Dern como Gertrude Hart, David Paymer como Mr. Finkelstein e Meat Loaf Aday como Fred.
  A linguagem é fácil, fluida. O livro possui pouco mais que 200 páginas de vários momentos de tensão. Minha opinião é que Arthur Miller escolheu a história certa para estrear no mundo do romance literário, e deixa suas palavras flutuando na luta eterna dos judeus. Acontecimentos recentes provam que 1945 permanece mesmo em 2014.

— (…) O senhor olha para mim e não me vê. Vê outra coisa. 
Pode me dizer o que é? É isto o que não entendo. Contra mim 
o senhor não tem nada, é o que diz. Então, por que quer me 
tirar daqui? O que é que vê que o deixa tão furioso quando olha para mim?
(MILLER, Arthur. Focus, pag. 166)


Escrito por MsBrown
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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Retrato de Dorian Gray, filme VS livro

O Retrato de Dorian Gray,
filme de 1945
   O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray), de Oscar Wilde, foi o único romance escrito pelo autor irlandês, em 1890. Em 1945, a Metro-Goldwyn-Mayer lançou o filme com mesmo nome. O filme, indicado ao Oscar de 1946, é aqui analisado comparando-o ao livro. A história é sobre Dorian Gray, um jovem belo e inocente que deseja que o retrato que Basil Hallward pintou dele absorva a velhice e as expressões interiores (sentimentos que modificam a aparência), e que ele próprio continue para sempre o mesmo, com a aparência de seus vinte anos. Dorian recebe influências negativas de Lord Henry Wotton, e se transforma em alguém que não reconhece o sentimento das pessoas ao seu redor.
   O filme foi dirigido por Albert Lewin e estrelado por George Sanders como Lord Henry, Hurd Hatfield como Dorian Gray, Lowell Gilmore como Basil Hallward, Angela Lansbury como Sibyl Vane e Donna Reed como Gladys Hallward.
Dorian Gray e Sybil Vane,
uma das cenas mais tocantes
 O filme fala quase sempre as mesmas falas do livro. Você reconhece até mesmo quando um personagem diz ou pensa a fala de outro. Há um personagem que não deveria existir, como por exemplo a Gladys, sobrinha de Basil Hallward apresentada logo no início, ainda criança, e por quem Dorian se apaixona no final. Sibyl Vane é a garota por quem Dorian se apaixona em ambos os dramas. Em um ela é atriz, em outro, cantora. Há um gato egípcio que não consta nos escritos de Oscar Wilde, que é o que possibilita o desejo de Dorian de acontecer.
Lord Henry, interpretado por George Sanders
   O narrador do filme pareceu tirar a obrigação do ator que interpretou Dorian de atuar. Poucas foram as cenas em que foi possível reconhecer alguma emoção no rosto de Hurd Hatfield. No todo, ele ficou apenas lá, olhando indiferente para tudo e todos, e o narrador lendo os escritos do livro ou acrescentando verdades. Isso me chateou bastante.
   O ator que interpretou Lord Henry atuou um tanto melhor. Devo lembrá-los de que não sou nenhuma “analista” de cinema, mas devo dizer também que o filme não me agradou pelas atuações principais e pela mudança de cenas que sinceramente acho que seriam melhores se fossem como no livro. A atriz que interpretou Sibyl, no entanto, trouxe algum charme para o filme, porque cantou uma música linda com emoção (mas a Sibyl do livro não é cantora, apenas atua as peças de Shakespeare).
Picture of Dorian Gray, de Ivan Le
Lorraine Albright
   O quadro que aparece no filme foi pintado por Ivan Le Lorraine Albright, um artista norte-americano que era conhecido por pintar o macabro. A finalização do quadro se deu com o término das filmagens pois o pintor tinha que acrescentar detalhes conforme o desenrolar da história. Atualmente a obra se encontra no Instituto de Arte de Chicago.
   O filme foi indicado ao Oscar por Melhor Direção de Arte Preto e Branco, Melhor Atriz Coadjuvante (Angela Lansbury) e ganhou por Melhor Cinematografia Preto e Branco, além do Globo de Ouro por Melhor Atriz e o Hugo por Melhor Drama.
   Pessoalmente não gostei tanto do filme. No livro vi uma perfeição que não poderia ser transferida para as telas, um apego enorme não me deixou curtir o filme como deveria. Mas recomendo a todos que leiam o livro pois a história é muito interessante, e o filme para quem gosta de antigos (lembre-se que teve indicações ao Oscar!).

Gladys e Dorian
Dorian e o Retrato de Dorian Gray
"Ao envelhecermos, nossa memória é assaltada pelas tentações que não tivemos coragem de vivê-las. O mundo é seu por uma estação. Seria trágico que compreendesse tarde demais que somente uma coisa vale a pena... a juventude." Lord Henry W.

Escrito por MsBrown

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domingo, 25 de novembro de 2012

A Revolução dos Bichos, de George Orwell



A Revolução dos Bichos (Animal Farm) de George Orwell é uma sátira ao socialismo. Apesar de utilizar figuras de animais as criticas aos seres humanos ficam visíveis no decorrer do livro. O livro é dividido em dez capítulos, sendo que algumas versões possuem um apêndice de explicação. 

O livro, no começo, começa a fazer alusões aos postos ocupados na sociedade de cada bicho. É uma reunião para o porco Major contar o sonho estranho que teve noite passada, no entanto, este, ao invés de falar de seu sonho, começa a falar sobre as condições de vida à que estão sujeitos. Observa-se claramente a metáfora relacionando o Homem que os aflige à tirania. 



Sugere-se que acabe com o problema e expulse o Homem do comando. Todos os animais se unem à Revolução sob a promessa de um mundo melhor e condições iguais, longe da servidão à qual estavam acostumados. 

No entanto, a reunião acabou despertando o dono da fazenda, Sr. Jones, que pegando sua espingarda dispersou a reunião com um tiro. 

O porco Major faleceu. Os outros animais, principalmente os porcos, começaram a se preparar para a revolução que o Major previra. Dentre os porcos se destacava Garganta, Bola de Neve e Napoleão cada um com uma capacidade especial. Organizaram a forma de pensar do Major e intitularam de Animalismo. 

Havia sempre reuniões secretas na fazenda. Encontraram certa resistência por parte dos animais no início, pois alguns ainda tinham uma noção de lealdade para com o ‘Dono’. No entanto, todos aderiram à chamada Revolução. 

O Sr. Jones fora um bom dono, porém sua fazenda estava em decadência. Num dia quando se esqueceu de alimentar os animais, esses de rebelaram e tomaram o poder. 

Foi um dia glorificante: haviam expulsado o inimigo. Comeram e beberam à vontade e se livraram de tudo o que pudesse lembrar o governo do Homem. 

Todos os animais concordaram que nenhum animal deveria habitar a casa grande. Bola de Neve e Napoleão resumem o Animalismo em sete mandamentos que deveram ser seguidos a partir do momento sem alterações. 

Nesse capítulo nota-se as comparações entre o governo dos porcos e o Governo Socialista Soviético. Ao tratar-se de igualdade, esta havia entre todos os animais, exceto os porcos, pois esses eram os encarregados de ‘pensar e organizar’ toda a granja, por isso mereciam privilégios ainda maiores. Notamos também que Sansão, o cavalo, que na sua segurança acreditava de todo o coração na Revolução e fazia por ela tudo o que podia, trabalhando mais do sempre, carregando a granja nas costas, representando o povo, que quer condições de vida melhores. 

No Governo dos porcos, toda a rebeldia e desconfiança eram controladas com discursos ‘alto-astral’ que provavam a supremacia do porco na sociedade na qual estavam inseridos. 

A notícia da Revolução se espalhava como vento. Os donos de outras granjas não deram ouvidos a isso, até que seus animais começaram a confabular a respeito. Mentiam a eles sobre as ‘verdadeiras’ condições na Granja dos Bichos. No entanto, tudo começou a tomar grandes proporções 

Os donos de outras granjas se uniram ao Sr. Jones e formaram a peleja para retomar o poder. Os bichos estavam preparados para tal acontecimento. Atacaram os humanos e saíram vitoriosos, com condecorações à Bola de Neve e Sansão, por suas atuações e coragem no campo de batalha. Esse dia foi instituído como importante para a Revolução: o dia em que lutaram e ganharam a Revolução do Estábulo. 

George Orwell, além deste escreveu também
 outra crítica  à sociedade em 1984
Bola de Neve e Napoleão discordavam sobre tudo. Mas a maior discussão era sobre um moinho de vento, plano de Bola de Neve para gerar eletricidade para todos e diminuir a carga de trabalho. Também discordavam sobre os rumos da Revolução: Napoleão dizia que deveriam implantá-la principalmente na granja e depois levá-las aos outros, e Bola de Neve dizia que deveriam espalhar as notícias pra todos. 

Bola de Neve fazia vários planos quanto ao moinho de vento. Os animais ficavam divididos entre Bola de Neve e Napoleão, que dizia que eram tolices. 

Um dia, numa das reuniões, enquanto Bola de Neve expunha seus planos para votação, houve um golpe de estado. Napoleão que criara alguns cachorros durante algum tempo, usou-os para expulsar Bola de Neve da reunião e impôs uma nova forma de governo: as decisões iriam ser tomadas a partir de agora por um conselho, para se evitarem tomar decisões erradas, ou seja, numa sociedade de iguais, criou-se uma classe dominante, que impôs novas formas de trabalho e da qual os animais sabiam apenas as decisões tomadas e nunca participavam do evento e haveria a construção do moinho (antes Napoleão não concordara porque a ideia havia sido dele, portanto ele devia apresentá-la). Napoleão usava outros porcos de ‘boa fala’ para poder convencer a todos de que sua decisão fora acertada. Nascia assim, uma sociedade regida por um ditador. 

Começou um período de relativa escravidão. Todos trabalhavam contentes, pois estavam cientes de que era para o bem geral. A colheita foi menor que no ano anterior e o moinho apresentava dificuldades na sua construção. 

Na granja começou a haver escassez de materiais que não eram produzidos ali e eles não sabiam como obtê-lo. Napoleão decidiu então começar a ter comércio com seus vizinhos e a utilizar dinheiro, o que ia totalmente contra os Sete Mandamentos, mas ele conseguiu convencer a todos de que eles estavam sonhando se algum dia foi aproado que não haveria comércio. Em pouco tempo, os porcos mudaram-se para a casa grande. Todos continuaram a trabalhar, embora o comportamento dos porcos começasse a apresentar algumas discrepâncias quanto aos Sete Mandamentos, estes conseguiram convencer que estavam certo. 

Certa noite, após uma tempestade, o moinho de vento foi encontrado em ruínas. Napoleão estrategicamente atribuiu a culpa do acidente à Bola de Neve e ofereceu uma recompensa a quem o capturasse vivo. 

O inverno na granja foi implacável. A situação estava precária, os animais passavam fome. Agora tudo de ruim que acontecia, a culpa era de Bola de Neve, que ninguém sabia onde se encontrava. Foi julgado traidor desde o início, fato que levantou suspeita entre os bichos, pois ninguém acreditava que era mentiroso e aliado do Sr. Jones. 

Stalin, inspiração para Napoleão
Houve reunião à tarde e Napoleão declarou alguns porcos como traidores e esses confessaram seus crimes e foram mortos. Instigou a todos a se delatarem e muitos o fizeram, sendo chacinados no momento, até que sobraram vários cadáveres ao pé de Napoleão. 

Os animais estavam com medo e indignados. Houve abolição das canções da Revolução, pois ‘esta já estava concluída’. 

Finalmente o moinho terminou de ser construído. Os bichos estavam orgulhosos dele. 

Napoleão continuava se vangloriando e dizia se que tudo que era bom era obra de Napoleão e tudo de ruim era Bola de Neve. 

Napoleão continuava comerciando com os vizinhos, mantendo relativa relação com estes, a ponto de deixar os animais confusos, pois nunca sabiam quem era o inimigo. 

Houve um ataque à granja de um dos vizinhos. O número de atacantes era superior ao de atacados e estes não puderam fazer nada. Destruíram o moinho de vento, o que suscitou a ira nos bichos. Isso ajudou-os a ganhar a batalha. 

O povo continuou com uma pulga atrás da orelha, no entanto seus anseios eram sempre reprimidos. Os mandamentos continuaram a ser mudados e aconteceram mais alguns acidentes na fazenda. 

A fome e a miséria continuavam. Napoleão usava com o povo a política do pão e circo. Os animais trabalhavam e não viam os frutos de seu trabalho. 

Os anos se passaram. Daqueles da época da revolução eram poucos e estes já não se lembravam como era antes. Os novos só sabiam pela tradição oral que ocorrera uma revolução. 

Secretamente, os porcos aprenderam a andar nas patas traseiras. E num cortejo surpreendente, Napoleão, usando um chicote na mão, foi seguido por seus comparsas. 

Os animais surpreenderam os porcos e os granjeiros vizinhos confraternizando o sucesso da Granja do Solar, como Napoleão agora preferia chamá-la, e então, num momento de espanto, os bichos notaram que não havia mais diferença entre um porco e um humano. 
Trotsky, o idealista Bola de Neve
Esse livro, uma sátira ao socialismo, exemplifica bem o processo que tomou conta da Rússia durante a Revolução. Sansão, com sua confiança cega, representa o povo, sempre prejudicado, no entanto o alicerce de todo o império. O velho Sr. Jones representa o czarismo, já decaído. Bola de Neve é figura para Trotsky, que foi exilado a mando de Stalin e depois assassinado por este. Trotsky acreditava que a Revolução deveria ser estendida a outros países, no entanto, seu rival Stálin (Napoleão) acreditava que a Revolução deveria se solidificar primeiro na Rússia para depois ser entendida. Sob o comando de Stalin, a Rússia prosperou, no entanto seu governo foi autoritário e sangrento. 

Quando estudamos a história do Socialismo, notamos as críticas feitas por George Orwell a esse sistema, no qual pode concluir-se que acaba virando uma conquista de interesses entre os governos, sendo o povo apenas instrumento de trabalho. Claro, a crítica não é aos princípios desse regime, mas ao que acabou se tornando nas mãos das pessoas erradas.

Esse livro é bem fácil de ler, utiliza uma linguagem simples, apesar de ser uma crítica. Recomendo a todas as pessoas com interesse no assunto ou apenas as que quiserem se divertir.

Escrito por MsMitchell


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