"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Doce Vingança, de Nora Roberts

Queria um drinque, não o café e o chá que sempre eram servidos, mas um vinho. Apenas um copo de vinho gelado. Mas nenhum vinho era permitido em Jaquir, enquanto o estupro sim, pensou ela, ao encostar um dedo no rosto dolorido. Surras e véus, chamadas para a oração e poligamia, mas não uma gota de Chablis ou um cálice de Sancerre.
(ROBERTS, Nora. Doce Vingança, pag. 29-30)

   A Princesa Adrianne é uma criança em Jaquir, um país no Oriente Médio. Lá, é acostumada às mulheres no harém, sempre falando sobre sexo, compras e jóias, mulheres que, submissas ao homem, devem usar abaayas para não tentá-los. Mas ela nunca pode se acostumar à constante repressão do homem que, além de seu pai e Rei de Jaquir, desposou a linda estrela de cinema Phoebe Spring entregando a ela o famoso colar O Sol e a Lua, de valor inestimável, com a promessa de uma vida exótica e bela longe daquilo que a atriz conhecia, apenas para trocá-la por outras mulheres e amaldiçoá-la por ter dado à
Doce Vingança, de Nora Roberts,
lançado em 1988
luz uma filha, Adrianne, e não um filho.
   O ponto inicial de Doce Vingança (Sweet Revenge), de Nora Roberts, lançado em 1988, é a infância turbulenta por qual Adrianne vive, no castelo em Jaquir, aprendendo que a mulher, de cabeça baixa, deve dar bons filhos ao marido e ser uma serva de Alá, isso porque, se fizer diferente, a polícia religiosa a castigará. Conhecendo as jóias desde criança, ela sabe perfeitamente diferenciar uma falsa de uma verdadeira. Sua obsessão pelo O Sol e a Lua crescem à medida que, após fugir de Jaquir para os Estados Unidos com a mãe quando tinha oito anos e testemunhar a volta decadente da atriz Phoebe Spring ao cinema, a mãe droga-se cada vez mais e é mais ainda manipulada por agentes. Adrianne sente que precisa deste colar, que o Rei confiscou da mãe, para sua vingança.
   Phillip Chamberlain, um inglês, agora é um agente da Interpol. Antes, fora um ladrão tão bem sucedido que levava uma vida confortável, e até propiciara à mãe uma vida melhor. Aposentado de seus roubos de jóias, ele tem a missão de encontrar O Sombra, o ladrão de jóias mais procurado pela polícia. O que Phillip provavelmente não esperava era encontrar Adrianne, a princesa, e apaixonar-se por ela, apesar da frieza e medo inicial que ela radia. Os dois, combinando conhecimentos acerca de jóias e ações, embarcam numa aventura muito bem descrita por Nora Roberts, onde há suspense, romance, cada cenário pintado meticulosamente para dar ao leitor a impressão de assistir bem de perto todos os acontecimentos.

— Mas O Sol e a Lua significa tudo. Não há nada que valha mais em Jaquir, não pelo valor monetário. Está além de qualquer preço. É uma questão de orgulho e força. Se sair das mãos da família real, haverá revolução, derramamento de sangue, o desmoronamento do poder. A inquietação nas fronteiras de Jaquir varrerá o país.
(ROBERTS, Nora. Doce Vingança, pag. 361)

   É uma história sobre família, sobre reconhecimento do amor e da paciência, o doce sabor da vingança que é capaz de alimentar boa parte da vida de alguém, e é uma história sobre não ser generalista. O que quer que as mulheres do harém sintam em sua realidade, o que quer que Adrianne tenha aprendido no mundo Ocidental, o que quer que a religião em Jaquir pregue ou as crenças cristãs, cada pessoa tem sua maneira de encarar a realidade, e muitas conseguem conviver e entender aquilo que outras não podem compreender.
   Lembro que tive esse livro em mãos durante alguns anos. Sempre me interessou, porém por algum motivo só agora consegui pegá-lo novamente e ler até o fim. Ainda bem que fiz isso! Devo confessar que Nora Roberts sempre me surpreende, não por ter surpresas durante o livro, mas pela sua maneira de escrever que, parecendo tão simples e despretensiosa, é capaz de marcar a história em meus pensamentos, e nos pensamentos de vários outros leitores. O livro é divido em três partes, com subtítulos seguidos de citações, sendo eles: O Amargo, O Sombra e O Doce.
   Recomendo o livro, pois, além do nome de Nora Roberts falar por si mesmo, tão reconhecimento que ela possui atualmente, é uma história inteligente, muito bem escrita, que abrange ambos o mundo ocidental e oriental, e é um ótimo lembrete do feminismo, o que isso significa de um lado do oceano e do outro.

Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam. Era princesa de uma terra que não era mais a sua. Era visitante num país que continuava a lhe ser estranho. Era uma mulher que tinha medo de ser uma mulher. Uma ladra que queria justiça.
(ROBERTS, Nora. Doce Vingança, pag. 252)


Escrito por MsBrown
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vida de Escritor, entre livros e redes sociais



Já se perguntou sobre a rotina dos escritores? Ultimamente temos observado que escritores são pessoas normais, que participam de redes sociais, realizam entrevistas e estão sempre se conectando com o público pessoalmente. A ideia de que são reclusos e não sabem lidar com pessoas é ultrapassado. Agora, no mundo virtual intenso, os escritores conseguem divulgar mais suas obras e os leitores se apegam mais. Aqueles que dificultam seu acesso aos livros podem acabar se prejudicando. Leitores não querem se sentir sozinhos e o contato, mesmo artificial através da internet, diz muito sobre o próximo best seller.
        Pensando nisso, criamos este post sobre a rotina de alguns escritores que conseguem dividir o tempo entre os leitores e a escrita dos livros.

Nora Roberts

Fenômeno literário, Nora já escreveu mais de 200 livros desde 1979, quando ficou presa numa nevasca e começou a escrever seu primeiro livro (Irish Thoroughbred, publicado em 1981). Lançou livros também sob os pseudônimos Sarah Hardesty, Jill March e J.D. Robb. Ela afirma que escreve oito horas diariamente e que seu dia perfeito é quando não há interrupções durante esse tempo.
Nora começa o dia fazendo exercícios na piscina e no aparelho elíptico, depois entra na casa, no último andar, checa o e-mail e sites e, por fim, escreve suas magnânimas histórias. No meio do dia, quando já escreveu aproximadamente quatro ou cinco horas, checa novamente o e-mail e navega pela internet. Depois faz o jantar para ela e seu marido Bruce. Quando o livro está indo bem ou ela foi interrompida durante o dia, ainda escreve por outras horas à noite. Ou apenas fica lendo livros ou assistindo televisão com Bruce.

Nora Roberts, "America's favorite novelist", pelo The New Yorker

O talento de Nora já a fez permanecer por 100 semanas na lista de livros mais lidos do jornal norte-americano The New York Times, recebeu várias vezes os renomados prêmios Golden MedallionRita AwardQuill Awards e foi publicada em vários países.
No site da escritora é possível encontrar algumas dicas aos aspirantes a escritores, como: escreva o que gosta de ler, escreva todos os dias, crie esse hábito. Mas lembre-se de se divertir.


Lycia Barros

Com o primeiro livro lançado em 2010, A Bandeja — Qual Pecado Te Seduz? (primeiro romance gospel brasileiro), a escritora carioca Lycia Barros já coleciona fãs pelo Brasil. Com Tortura Cor-de-Rosa, de 2011, que teve sua primeira tiragem esgotada em apenas um mês de lançamento e foi adotado por escolas como livro paradidático, Lycia escreveu sobre Bullying e conseguiu trazer atualidade para os alunos — deficiência que observei durante anos no Ensino Público (principalmente).
Lycia Barros tem seu canal no Youtube, o Papo Literário, em que utiliza para, além de divulgar seus livros, falar sobre a construção de um bom romance. Aspirantes a escritores também podem cursar o Fábrica de Autores, que tem o objetivo de desenvolver a escrita e prepará-los para o mercado editorial.

Lycia Barros, a promessa da literatura nacional

O envolvimento de Lycia com o público é imenso. Sempre presente nas redes sociais trabalhando como ministradora dos cursos, porém não perde tempo para elaborar seu livro. Ela contou, numa entrevista ao blog Bookaholic em fevereiro de 2011, que logo que lançou A Bandeja e assinou contrato com a editora para uma coleção, passou a escrever todos os dias. “O primeiro livro eu escrevia quando dava”, confessa. Essa mudança na rotina pode ser observada em vários outros autores, mas Lycia já mostrou que não está na Literatura para brincadeiras.


Thalita Rebouças

Em 1974, nasceu no Rio de Janeiro a escritora mais animada do Brasil! Thalita Rebouças atingiu 1 milhão de livros vendidos até 2011 e fez seus livros viajarem a Portugal para espalhar a Literatura Brasileira. Ela é conhecida como a mais "animada" pois, no começo da carreira, ao observar na Bienal do Rio de 2001 as pessoas correrem direto para os autores mais conhecidos, teve que usar sua capacidade de lidar com o público de maneira inusitada: "Comecei a bater palmas, a fazer polichinelo, a brincar com quem passava na frente do estande e a anunciar o livro em altos brados, como um vendedor empolgado com seu produto. Logo juntou gente ao meu redor, rindo e escutando, e o livro passou a vender como água no deserto.", diz em seu site. Quando o livro Traição Entre Amigas passou a vender tão bem, Thalita mergulhou em tempo integral na vida de escritora. Passou a divulgar os livros fervorosamente e hoje é uma das autoras mais bem vendidas no Brasil.

Thalita Rebouças, a escritora mais animada do Brasil!

Em entrevista ao programa da Marília Gabriela, De Frente Com a Gabi, Thalita confessou que reserva as noites para escrever, momento em que o silêncio é profundo e não há interrupções de telefone e outros. Bem disciplinada, ela checa os e-mails e revisa os textos à tarde. As redes sociais são importantes para a análise de seu público alvo, que são adolescentes e jovens adultos.
Thalita Rebouças ministra um curso online para aspirantes a escritores. (Veja mais informações em seu site.)


Claro que faltam muitos escritores por aí para destacarmos aqui, mas talvez com o tempo consigamos. A importância de Nora Roberts, Lycia Barros e Thalita Rebouças não podem ser ignoradas. Com grande sucesso no Brasil, essas autoras inspiram jovens escritores e agradam muitos leitores.

Escrito por MsBrown
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