"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

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Doce Vingança de Nora Roberts

"Ninguém a conhecia. Nem mesmo Celeste compreendia plenamente os conflitos e dúvidas que a dominavam."
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Feérica, de Carolina Munhóz

"As fadas existiam porque humanos ainda acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era hora de mostrar que eles tinham motivo para isso."
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Especial de Aniversário de Clarice Lispector: A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."
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Biografia de Harrie Stowe

"Eu sinto que agora é o tempo em que mesmo uma mulher ou criança que sabem falar uma palavra de liberdade e humanidade é obrigado a falar..."
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Mágico de Oz, de L. Frank Baun

I am Oz, the Great and Terrible. Why do you seek me?

   O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz), de L. Frank Baun, lançado em 1900, é um clássico da literatura estadunidense, considerado o primeiro livro do gênero fantástico, e pensado para ser um conto de fadas moderno, sem violência e com moral. Um mundo fantástico é apresentado, sem pretensões, uma viagem inesperada que revelou as boas qualidades da pequena Dorothy, do Espantalho, do Homem de Lata e do Leão Covarde.
   Dorothy Gale mora com seus tios e Totó, seu cachorro, em Kansas, onde tudo é cinza. Durante um tornado, seus tios vão para o abrigo e Dorothy se distrai procurando Totó, e acaba por ficar dentro da casa, quando esta é arrastada pelo ciclone e vai para os ares. O destino é a Terra de Oz, cheia de cores, criaturas diferentes e… A casa caiu em cima da Bruxa Má do Leste, matando-a. A menina é honrada pelos Munchkins, os seres que habitam aquela terra, e pela Bruxa Boa do Norte, Glinda. Dorothy quer apenas voltar para casa, para Kansas, e ver seus tios novamente. Glinda diz a ela que Oz, o maravilhoso mágico, pode ajudá-la. Usando os sapatos vermelhos da Bruxa Má do Leste (pois estes possuem algum poder), e com um beijo de Glinda no rosto, Dorothy e Totó saem à procura da estrada de tijolos amarelos que os levará ao grande mágico, na Terra das Esmeraldas.


   O Espantalho ouviu atentamente, e disse, "Eu não posso entender por que você desejaria deixar esse belo país para voltar para o lugar seco e cinza que você chama de Kansas."
   "Isso é porque você não tem cérebro," respondeu a garota. "Não importa quão seco e cinza seja nossa casa, nós pessoas de carne e osso preferimos viver lá do que em qualquer país, mesmo que seja este seja tão bonito. Não há lugar como a nossa casa."
(BAUN, Frank L. The Wonderful Wizard of Oz, pag. 22)

   No país de Oz, havia quatro bruxas, sendo a do Sul e a do Norte boas bruxas. A Bruxa Má do Oeste ainda estava viva, e queria vingar a morte da Bruxa Má do Leste. E no caminho da pequena garota que só queria voltar para casa, vários gargalos ocorrem.
Capa da versão lida, The Wonderful
Wizard Of Oz, de L. Frank Baun
   Dorothy encontra três personagens muito interessantes pelo caminho, que se tornam seus amigos. O primeiro é o Espantalho que quer ter cérebro, o segundo é o Homem de Lata que quer ter um coração, e o terceiro é o Leão Covarde, que quer ter coragem. Juntos, eles enfrentam o que há na estrada, as armadilhas da Bruxa Má do Oeste, a fim de conhecer o grande mágico de Oz para que ele realize seus desejos.
    O Mágico de Oz foi adaptado para o teatro e cinema. O filme mais conhecido é o que foi lançado em 1939, dirigido por Victor Fleming e estrelado por Judy Garland como Dorothy, Frank Morgan como o mágico de Oz, Ray Bolger como o Espantalho, Jack Haley como o Homem de Lata, Bert Lahr como o Leão Covarde, Billie Burke como Glinda e Margaret Hamilton como a Bruxa Má do Oeste. A produção era um espetáculo de cores e um musical; recebeu o Oscar de Melhor Canção por "Over The Rainbow" e foi indicado por Melhor Filme, Melhor Direção de Arte e outros, além de colocar a jovem Judy Garland no estrelato.
   Esta é uma história com macacos alados, ratos do campo, árvores lutadoras, sapatos mágicos e outras invenções. Escrito de maneira simples e conciso (li em inglês), é o primeiro livro de uma série de 13 volumes.
   E o melhor (spoiler alert!): não é tudo um sonho.


"Vocês pessoas com corações," disse ele, "tem algo para guiá-los, 
e não precisam fazer nada errado; mas eu não tenho um coração, 
e assim devo ter muito cuidado. Quando Oz me der um coração, 
é claro que não precisarei me importar tanto."
(BAUN, Frank L. The Wonderful Wizard of Oz, pag. 39)

Escrito por MsBrown
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feérica, de Carolinha Munhóz

Who is going to be the next American Idol?
Ladies and gentleman, how about a fairy?

   Violet Lashian tem cabelo roxo, é uma fada de Ablach e admira tanto o mundo dos humanos que por anos fica pensando na possibilidade de deixar seu mundo, onde ela é negligenciada e tratada como "maluquinha", para viver onde estão as pessoas cheias de glamour as quais admira.
   Feérica é um romance fantástico de Carolinha Munhóz, lançado em 2013. Sua personagem principal é essa fada que, estranhamente, quer viver um conto de fadas! Violet considera que, com tantos desejos realizados dos humanos, eles podem realizar o sonho dela. A feérica violeta quer ser famosa. E nada melhor que o maior reality show da TV norte-americana para revelá-la, certo?
   Com 34 anos feéricos e 17 anos humanos, Violet deixa seu mundo após um mal entendido que a envolve num crime de punição eterna. Deixando mãe e irmãs para trás, ela acaba
Feérica, de Carolina Munhóz
lançado em 2013
pela Fantasy - Casa da Palavra
num albergue em Los Angeles. Antônio, o dono do albergue, é o senhor que vai contá-la sobre as audições para o reality show. E Violet ainda duvidava de seu feitiço de sorte!
   Nessa aventura ela conhece várias pessoas... Encantando a todos quando abre asas em pleno show, o produtor do programa e sua filha passam a cuidar da fada e a ideia de um reality show mostrando como é a vida dela na Terra é iluminada. Apesar de Michael, seu agente, querer um programa que a mostre como fada, e não como uma "aspirante a humana causadora de problemas", ainda tem muita paciência com a fada que se admira com relógios, Sucrilhos, máquina caça níquel do Bruce Lee (ok, aí todos nós ficamos abobalhados) e que frequenta os lugares mais badalados de Los Angeles e Las Vegas, baby! Ao lado de Sabrina, filha do produtor, Violet se infiltra no mundo das celebridades, aproveitando cada pedacinho da cidade dos anjos.

 Meu nome é Violet Lashian. Acho que para vocês eu 
teria uns 17 anos e quero ser o próximo ídolo americano 
porque vocês estão acostumados a verem fadas realizarem 
os seus sonhos, e acho justo pela primeira vez na vida 
realizarem o sonho de uma fada. 
(MUNHÓZ, Carolina. Feérica, pag. 9)

   Será que Violet vai perder a cabeça? E o que acontece com sua família em Ablach enquanto ela sai com lutadores de UFC, com ídolos americanos, desfila para a Victoria's Secret e faz aparição no programa do entrevistador mais famoso da TV, Dennis Papperman? Essas questões são bem escritas, bem colocadas, e o humor de Dennis Papperman durante a história deixa tudo mais descontraído, conseguindo tirar gargalhadas da plateia e de nós, leitores de seu programa.
   Carolina Munhóz sempre foi uma admiradora de reality shows, e até participou do Ídolos, na adolescência. Notícias recentes divulgam que ela terá seu próprio reality show, em que mostrará como é sua vida sendo escritora ao lado do marido, Raphael Draccon, também escritor. Feérica é um livro de referências do mundo pop, um conto de fadas de uma fada que consegue não apenas encantar a quem assiste ao show, mas a nós, espectadores de seu mundo fantástico. Ler Feérica é estar do lado da fada que apenas quer se sentir bem onde está, que quer entender porque todos a tratavam tão diferente... A autora traça um caminho para Violet que nos ensina, mais que tudo, a aproveitar o momento sem esquecer as raízes. E que quando nos atormentam, basta dizer: Sério mesmo? (dá um sorriso) Bitch, please!

Resultado daquela noite: Violet havia provado 
mundialmente que a Terra era seu parque de diversões 
e não existiam mais reis, rainhas, presidentes ou milionários.
Violet Lashian governava o mundo. 
(MUNHÓZ, Carolina. Feérica, pag. 203)

   Logo que descobri e adorei os livros do Raphael Draccon, descobri a Carolina Munhóz e pensei "Ele não se casaria com alguém que escreve mal, né?", daí li resenhas sobre os livros dela e tive a sorte de ler Feérica, que não é apenas um livro bom, consistente, é diferente e reúne referências que consigo me conectar. Em cada capítulo há uma frase de um programa de TV ou seriado, em inglês e com a tradução. A cada capítulo, há um espaço reservado para a entrevista que está acontecendo no programa de Dennis Papperman, sempre engraçada, e Violet vai contando sua trajetória...
   Não há o que dizer a não ser elogios para o livro nacional fantástico. Sempre digo que não sou muito chegada a livros desse gênero, mas me surpreendo e passo cada vez mais a apreciá-los. Para mim, é muito importante que autores nacionais estejam escrevendo assim, quebrando as barreiras do preconceito. Já é um elogio o livro ser romance fantástico! O Dicionário Web traz como significado da palavra "fantástico" o seguinte: "Que só existe na fantasia. Imaginário. Caprichoso. Extraordinário. Incrível." 

As fadas existiam porque humanos ainda 
acreditavam em sua existência. Violet decidiu que já era 
hora de mostrar que eles tinham motivo para isso. 
(MUNHÓZ, Carolina. Feérica, pag. 28)

Escrito por MsBrown
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

#Clube do livro ~ Junho / Coraline

Livro: Coraline

Gênero: Fantasia

Publicação: 2002/Inglaterra

Autor: Neil Gaiman




Onde comprar:
Livraria Saraiva
Livraria Travessa

RESUMO DA OBRA

Coraline acabou de mudar de casa com seus pais. Nesta nova, por ser tão grande, sua família possui apenas uma parte. Há muitas janelas e portas. E uma porta que se abre para uma parede de tijolos. Aparentemente. Na vizinhança há as senhoritas Spink e Forcible que possuem cães, o velho senhor que conversa com ratos artísticos e há um gato que não fala.

Certo dia, entendiada, Coraline resolveu explorar a casa. E quando abriu aquela pequena porta, viu que havia um vão. E entrou. Do outro lado, a casa se parecia com a sua. Uma mulher, parecidíssima com sua mãe, se apresentou como “sua outra mãe”, assim como seu outro pai. E eles tinham botões no lugar dos olhos. As senhoritas Spink e Forcible faziam shows para uma plateia de cachorros. O velho senhor organizava o concerto para os ratos. Todos eles com botões no lugar dos olhos. E havia ainda o gato, que agora falava e teimava em dizer que era o mesmo gato dos dois lados da casa.

Coraline, de início, até gosta de viver neste mundo. Seus outros pais parecem se importar muito com ela, e sua outra mãe cozinha deliciosamente. (Na sua casa de verdade, seu pai sempre inventava novas receitas, o que deixava Coraline furiosa.) Mas nem tudo é perfeito. Isso porque sua outra mãe quer costurar botões no lugar de seus olhos e, depois disso, Coraline seria para sempre sua. Apesar dos brinquedos bacanas, da comida, do quarto, Coraline começa a ver que esse mundo não é tão maravilhoso assim, até porque seus pais verdadeiros desaparecem nas garras da outra mãe. E o amor de sua outra mãe é doentio, uma espécie de jogo ao qual ela pensa que Coraline irá perder e render aos seus encantos.

E quando a outra mãe é contrariada, ela não fica feliz. Coraline percebe esse lado cruel e tenta voltar para sua verdadeira casa. Mas, para isso, tem que inventar um jogo para salvar seus pais e outras três crianças com vidas já sugadas pela outra mãe.

COMENTÁRIO DAS AUTORAS

Coraline é uma obra encantadora, longe de ser apenas para crianças. Esse universo sombrio nos faz perceber a importância da família, de ser corajoso e tentar vencer a todo custo. O livro ensina que verdadeiramente não queremos tudo aquilo que é convidativo. Coraline é uma protagonista incrível, exploradora, cativante. O gato é outro personagem marcante, sempre ali para ajudar a menina.

A cena final, a batalha final mostra como temos aqui uma heroína que entendeu finalmente que seu lugar é com seus pais verdadeiros, não importa o quanto às vezes eles parecem se envolver demais no trabalho e deixá-la sozinha.

Neil Gaiman construiu um mundo tão sutilmente assustador. Se o objetivo era que ficássemos agoniados com os olhos de botão, ele realmente conseguiu. Aqueles olhos que você não sabe o que está se passando, e que se tornam amedrontadores por serem tão misteriosos.

TRECHOS
— Os ratos têm uma mensagem para você — sussurrou.
Coraline não sabia o que dizer.
— A mensagem é a seguinte: Não passe pela porta.­ — Fez uma pausa. — Isso faz algum sentido para você?
Pag. 23

— Gatos não têm nomes — disse.
— Não? — perguntou Coraline.
— Não — respondeu o gato. — Agora, vocês pessoas têm nomes. Isso é porque vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes.
Pag.41

— Por que ela me quer? — Coraline perguntou ao gato. — Por que quer que eu fique aqui com ela?
— Quer algo para amar, acho — respondeu o gato. — Algo que não seja ela. Pode ser que queira algo para comer também. É difícil dizer com criaturas daquelas.
Pag. 65

Às vezes, Coraline esquecia-se de quem era enquanto explorava o Ártico, a floresta amazônica, ou a áfrica desconhecida em seus devaneios, e era somente quando lhe davam uns tapinhas nas costas ou chamavam o seu nome que coraline retornava de um milhão de milhas com um susto e, em frações de segundos, tinha que se lembrar de quem era, de qual era o seu nome e até mesmo quem estava lá.
Pag. 67

— Se você nem mesmo vai falar comigo — disse Coraline —, então vou explorar.
— É perda de tempo — disse o outro pai. — Não existe nenhum outro lugar a não ser aqui. Foi tudo o que ela fez: a casa, o terreno e as pessoas da casa. Ela fez e esperou. — Então ele pareceu constrangido e pôs o dedo em frente à boca novamente, como se tivesse acabado de falar demais.
Pag. 70

— Você realmente não entende, não é: — disse. Eu não quero tudo o que eu quiser. Ninguém quer. Não realmente. Que graça teria ter tudo o que se deseja? Em um piscar de olhos e sem o menor sentido. E daí?

Pag. 116
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quinta-feira, 7 de março de 2013

Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

Após muita discussão, concluíram unanimemente que eu era 
uma “aberração da natureza”. É com essa expressão, inventada 
para resolver todas as dificuldades, que os sábios disfarçam sua ignorância…

(Swift. Viagens de Gulliver, pag. 71-72)


   Viagens de Gulliver (Gulliver's Travels), de Jonathan Swift, é um clássico da fantasia que diz muito sobre a situação da Europa no século XVIII enquanto Gulliver realiza suas viagens a terras fantásticas. Uma crítica ferrenha à sociedade, vista de vários ângulos. Gulliver é patriota mas sempre que começa a falar sobre a Inglaterra aos líderes das nações fantásticas, ele vai percebendo que em seu mundo há muitas falhas que ele antes ignorava.
  O livro tem quatro partes, cada qual falando sobre sua passagem por alguma ilha com suas pecularidades. Gulliver sofre naufrágios ou motim, e quase sempre se vê sozinho num lugar desconhecido. Deixando sua família (mulher e dois filhos), ele se torna médico-cirurgião no navio Andorinha, em 1699, e é assim que acontece sua primeira grande descoberta: Lilipute.
  Depois do naufrágio, Gulliver se vê numa terra com pessoas de 25 cm, aproximadamente, que cabem no bolso de sua camisa. Os animais e árvores são proporcionais àqueles homenzinhos. Demonstrando-se humilde, Gulliver passa a ser bem visto na ilha de Lilipute. Aprende a língua, socializa-se e é claro, conhece o imperador, com seus discursos pomposos e pensamentos de ser "o maior imperador". Mas nesta terra Gulliver faz inimigos, ainda mais depois do episódio de ter apagado o fogo do quarto da imperatriz (cena hilária) pois muitos de seus homens são arrogantes e desconfiados. 
Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift
   Em outra viagem, desta vez a Brobdingnag, Gulliver está numa terra onde ele é o homenzinho. Essa ilha é habitada por gigantes, que o tratam como animal de circo, marionete; apenas querem se divertir a suas custas. Aqui Gulliver faz amizade com uma garota e vai morar na casa do imperador.

Se os seres humanos, segundo se observava, eram tanto mais selvagens e cruéis quanto maior o seu tamanho, o que devia esperar senão ser uma porção de comida na boca dos primeiros daqueles bárbaros enormes que viessem a me capturar? Sem dúvida, têm razão quem diz que nada é grande ou pequeno, senão por comparação. 
(Swift. Viagens de Gulliver, pag. 61)


  Outra parte de suas viagens engloba Laputa, Balnibarbi, Luggnagg, Glubbdubdrib e Japão: aqui, na ilha flutuante, as pessoas são dominadas pela sede de pensar apenas em matemática e estão sempre com muitos projetos (malucos), chegando a adormecerem em pensamentos e tratam as mulheres com machismo.
  Por fim, Gulliver acaba na terra dos Houyhnhnms: dominada por cavalos que são tão inteligentes. Nesta terra também há os Yahoo, mais parecidos com seres humanos porém sinônimo de tudo o que é ruim. Gulliver fica impressionado nesta terra e suas ideias podem sofrer grande transformação.
  Gulliver passa por diversas situações que o mudam, definitivamente. Em cada viagem, narrada em primeira pessoa, ele descreve sobre a política, tanto de seu país, quanto dessas terras fantásticas. É interessante quando ele nos põe a par do que os povos pensam dele, e assim sabemos que, visto por diferentes ângulos, os seres humanos possuem mais falhas e vícios do que percebem.
   A família de Gulliver é constantemente abandonada por ele, que não consegue viver sem se aventurar. Esse é o triste da história: apesar de tentar ser uma boa pessoa e amar seu país, está sempre a deixar a família; aliás, a cita em raros momentos. Ele passou dezesseis anos e sete meses viajando, vez ou outra voltando à Inglaterra.
   A obra é divertida porque vemos nosso mundo sendo ridicularizado: sabemos como ele é cheio de falhas; no entanto, quando alguém finalmente as aponta, vendo de outro modo, percebemos a situação até como sendo engraçada. Contudo, é possível perceber pelas entrelinhas a insatisfação do autor com os rumos de seu país.
   A narração é tão simples, de diário de bordo, que até parece que estamos lendo uma história real. É uma obra de fantasia inesquecível!

A verdade me pareceu tão adorável que 
estava determinado a sacrificar tudo por ela. 
(Swift. Viagens de Gulliver, pag. 156)


Escrito por MsBrown
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