"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

domingo, 16 de junho de 2013

Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller

HAPPY: Ele quer apenas seu bem, isso é tudo. 
Eu queria conversar sobre papai com você faz um tempo, Biff. 
Alguma coisa está — acontecendo com ele. Ele — fala sozinho.
(MILLER. Morte de um Caixeiro Viajante, pag. 21)

      A peça de teatro Morte de um Caixeiro Viajante (Death of a Salesman), de Arthur Miller, foi lançada em 1949. O livro aborda as relações familiares, a preocupação com o que o mundo exterior pensará das ações de cada integrante da família e a ilusão de ser alguém amado e respeitado por todos.
O casal Willy e Linda Loman está enfrentando problemas. Inicialmente, esse problema está em Willy e em sua perda de sanidade. Agora ele anda falando sozinho, lamentando o fracasso de seu filho Biff, e seu amor por ele é mascarado pelo remorso. Biff foi embora da casa dos pais há algum tempo pois seu Willy passou a tratá-lo mal por não conseguir bons empregos. Em conversas entre Biff e seu irmão Happy, é possível perceber que Biff gostaria de se relacionar melhor com o pai, que ele o ama e se preocupa, porém é sempre uma luta quando tenta se aproximar. Já Happy é o irmão que, apesar de estar presente em quase todas as cenas, não é muito notado. Happy diz as novidades e a família sempre o ignora. A atenção é toda para Biff. Isso é um pouco revoltante, até porque quem está o tempo todo com os pais é Happy.


BIFF: Bem, eu passei seis ou sete anos depois do Ensino Médio tentando me ajustar. Despachante, vendedor, negócios de todas as formas; e é uma forma desprezível de viver. Pegar o metrô numa manhã quente no verão. Devotar toda a vida a manter estoque, ou fazer ligações, ou vender e comprar. Sofrer cinquenta semanas do ano por causa de duas semanas de férias, quando o que você realmente deseja é estar ao ar livre, sem sua camisa. E sempre ter que chegar à frente do seu companheiro. E assim — é deste modo que você constrói um futuro. 
(MILLER. Morte de um Caixeiro Viajante, pag. 22)

Com o decorrer da história, Willy começa a imaginar quando os seus filhos eram pequenos. Aí temos Biff e Happy brincando de jogar bola, e Willy dando muita atenção ao primeiro. Bernard, filho do vizinho, vai até a casa da família central e avisa Happy que Biff precisa ir fazer o teste de matemática, se não irá repetir na escola. Pai e filho ignoram o garoto que apenas queria o bem para seu amigo. Mas este fato é o que fica atrapalhando o relacionamento futuro dos dois. Porque este pequeno e aparentemente inútil fato transforma Biff em alguém que não consegue bons empregos. E, sendo assim, seu pai se angustia.
Willy é um vendedor iludido. Ele pensa que muitas pessoas se preocupam com ele e é muito popular. É por essa ilusão que há uma pressão para Biff ser perfeito. Pai e filho não trocam muitas palavras durante toda a peça, mas sim com os outros personagens, de modo que o leitor fica ansioso para saber como eles irão lidar quando resolverem conversar. O resultado, devo dizer, é angustiante. Quando Linda está em cena, tive até pena dela ao falar do marido. Ela, apaixonada por ele, e ele com problemas de perda de sanidade – um homem amargo, egocêntrico que queria ser amado por todos e não percebia que sua família nutria um imenso amor por ele.
O nome da peça (Death of a Salesman) se deu porque Willy conta porque decidir
Death of a Salesman,
de Arthur Miller
ser vendedor. A razão é que em sua adolescência ele conheceu um homem que fazia este tipo de trabalho. Este homem ligava para muitas pessoas e as pessoas ligavam para ele. Willy viu isso como “o homem popular amado por todos”, e passou a pensar que isso ocorria com todos os vendedores.
Não gostei muito do livro. Li-o em inglês e sei que deixei passar muita coisa, e talvez por isso tenha perdido a emoção. Senti-me mal quando Linda ficava dizendo que Willy era um homem bom e no final ele me decepcionou muito. Ele é aquela pessoa que quer muito ser amado mas que nunca mostra que ama as outras pessoas. Gostei do Biff, porque ele era sincero e consegui sentir seu desgosto por causar tantos problemas para sua família – problemas do tipo “tempestade num copo d’água”. Happy foi outro personagem que gostei, assim como Linda, mas que me deixavam triste por serem tão importantes para a trama e na história não serem tratados assim. 
O livro, uma das obras mais famosas do dramaturgo Miller, ganhou o Pulitzer e três Tony's.

LINDA: (…) Eu sei cada pensamento da mente dele.
Isso pode parecer antiquado e bobo, mas eu digo 
a você, ele colocou toda sua vida em suas mãos e você virou 
as costas para ele. (…) Biff, eu juro por Deus! 
Biff, a vida dele está em suas mãos!
(MILLER. Morte de um Caixeiro Viajante, pag. 60)

Em 1951 foi lançado o filme desta obra. Dirigido por Laslo Benedek, modificado por Stanley Roberts e estrelado por Fredric March como Willy Loman, Mildred Dunnock como Linda, Kevin McCarthy como Biff e Cameron Mitchell como Happy. O filme foi indicado ao Oscar: March por Melhor Ator, McCarthy por Melhor Ator, Dunnock por Melhor Atriz Coadjuvante, Franz Planer  por Melhor Cinematografia Preto e Branco e Alex North por Melhor Música e ganhou os Globo de Ouro por Melhor Cinematografia, Melhor Diretor, Melhor Ator de Drama para Fredric March e Ator Promissor para Kevin McCarthy, além de outros prêmios. A peça também atingiu a TV, em 1985, desta vez o filme dirigido por Volker Schlöndorff, com roteiro modificado pelo autor Arthur Miller, e estrelado por Dustin Hoffman como Willy, Kate Reid como Linda, John Malkovich como Biff, Stephen Lang como Happy. Recebeu o Globo de Ouro por Melhor Ator para Dustin Hoffman e foi nomeado por Melhor Filme, Melhor Atriz para Kate Reid e ganhou 3 Emmy’s.


WILLY: (…) Eu percebi que ser vendedor era a 
melhor carreira que um homem poderia querer. 
Por que o que seria mais satisfatório a poder ir, na idade 
de oitenta e quatro anos, em vinte ou trinta cidades diferentes, 
e pegar um telefone, e ser lembrado e amado e ajudado por tantas pessoas?
 (MILLER. Morte de um Caixeiro Viajante, pag. 81) 

Escrito por MsBrown

2 comentários:

  1. Nunca tinha ouvido falar nesse livro, mas gostei do seu ponto de vista.
    Realmente é decepcionante nos depararmos com um personagem que anseia que todos o amem, mas que na realidade não ama ninguém.
    Quem sabe eu procure o filme, hehe,

    Beijos,

    ser-escritora.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Gosto muito das suas postagem porque você sem´re faz questão de trazer novidades literárias... livros importantes mas que nem todos conhecem. Parabéns!

    Gostei muito do texto... bem escrito e sincero. Uma pena que você não tenha curtido tanto a leitura, mas vi que também houve pontos positivos. Acho que, de certo modo, experiências assim acabam sendo válidas também.

    Um abraço!
    http://universoliterario.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

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